Houve um tempo em que o disco com os sambas de enredo das principais escolas do Carnaval do Rio de Janeiro era (quase) tão esperado no fim do ano quanto o álbum anual do cantor Roberto Carlos. O auge artístico e comercial dos LPs com os sambas das agremiações cariocas aconteceu nas décadas de 1970 e 1980. Mas o primeiro disco saiu em 1968 e completa, portanto, 50 anos neste Carnaval de 2018.

Lançado pela pequena gravadora DiscNews, o LP Festival de samba ? Gravado ao vivo (capa acima) saiu somente com sete dos dez sambas das escolas que desfilaram naquele Carnaval de 1968. Sambas de agremiações como Império da Tijuca e Unidos de São Carlos foram excluídos do disco, talvez por questão de espaço físico. Mas o importante é que se inaugurou ali, naquele ano de 1968, a função de registrar para posteridade os sambas de enredo.

Na atual era digital, tal registro prescinde da edição em disco. Contudo, antes da invenção do mundo digital, o folião precisava recorrer a um disco se quisesse ouvir todos os sambas das escolas do Rio de Janeiro. Não por acaso, a partir dos anos 1970, as instituições promotoras dos desfiles do Carnaval carioca tomaram para si parte da responsabilidade de editar os discos oficiais dos sambas de enredo. Coube então à pequena gravadora Top Tape lançar os discos, distribuindo os LPs nas lojas.

Nos primeiros anos, era comum saírem até dois LPs. A partir de 1974, a produção anual de sambas de enredo passou a ser concentrada em um único disco para cada grupo (além do grupo hoje denominado Especial, havia também os discos com os sambas das escolas da segunda divisão), com eventuais exceções.

Em 1986, a gravadora multinacional RCA (que se chamaria BMG-Ariola a partir de 1987) passou a disputar com a nativa Top Tape a primazia de editar os discos. No início da disputa, houve um disco de cada gravadora. A partir de 1988, a BMG-Ariola dominou o terreno hoje ocupado pela multinacional Universal Music, por decisão da gravadora administrada pela Liesa. E, na década de 1990, os LPs foram dando progressivo lugar aos CDs.

A moral dessa história é que, mesmo completando 50 anos já sem a força (e as vendas) de antigos Carnavais, os discos com sambas de enredo têm perene valor documental. É fato que a qualidade das safras de sambas caiu muito a partir da década de 1990. Mas são nestes discos que se registram as trilhas de um Carnaval. Tudo se acaba na quarta-feira, mas os discos permanecem...


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