Uzbeque que jurou lealdade ao Estado Islâmico dirigiu caminhão que matou cinco pessoas; ele pode pegar prisão perpétua.

O solicitante de asilo uzbeque que reivindicou o atentado com caminhão que deixou cinco mortos em abril de 2017 em Estocolmo e que jurou lealdade ao grupo Estado Islâmico declarou nesta terça-feira (13) ser culpado de ato terrorista na abertura de seu julgamento.

Rakhmat Akilov, que teve o pedido de asilo negado, lançou o caminhão que dirigia contra pedestres em uma rua comercial de Estocolmo em 7 de abril.

Três suecas, entre elas uma menina de 11 anos, um britânico de 41 anos e um belga de 31 morreram, enquanto dez outras pessoas ficaram feridas.

Na véspera de seu 40º aniversário, o acusado entrou no tribunal de Estocolmo acompanhado de seu advogado.

Segundo a acusação, sua intenção era "forçar a Suécia a encerrar suas atividades de treinamento na coalizão internacional contra o Estado Islâmico no Iraque".

O Ministério Público solicitou prisão perpétua por ato terrorista e tentativa de ato terrorista.

Tentativa de suicídio

Logo na abertura do processo esta manhã, seu advogado de defesa, Johan Eriksson, disse que seu cliente reconhecia os fatos.

Rakhmat Akilov "roubou o caminhão e o dirigiu" por quase 500 metros, a uma velocidade média de 60 km/h, declarou o advogado.

"Ele matou cinco pessoas e feriu fisicamente outras dez" com a intenção de "forçar a Suécia a suspender sua participação na coalizão contra o Estado Islâmico", acrescentou, afirmando que seu cliente concordava em ser condenado a prisão perpétua por atos terroristas.

O tribunal exibiu imagens de vídeos gravados logo após o ataque, mostrando transeuntes em pânico e um corpo no chão depois que o caminhão terminou seu trajeto chocando-se contra a vitrine de uma loja de departamentos.

Em seguida, Akilov detonou uma carga explosiva composta por cinco cilindros de gás na cabine do veículo. Ele acreditava que morreria na explosão, mas o dispositivo provocou apenas danos materiais.

Ele então correu para uma estação de metrô, sendo detido algumas horas depois ao norte de Estocolmo.

Cúmplices

Único a ser julgado nesta fase, Rakhmat Akilov, que pertence à minoria tajique do Uzbequistão, realizou vários contatos telefônicos, por meio de mensagens criptografadas, antes, durante e após o ataque com pessoas oficialmente não identificadas.

A acusação apresentou nesta terça-feira a lista dessas conversas por meio dos aplicativos WhatsApp, Telegram, Facebook e Zello, encontradas em seus celulares.

Das 209 mensagens trocadas, que datam pelo menos de janeiro de 2017, 16 são diretamente "interessantes", de acordo com o Ministério Público.

No Zello, Akilov conversou com interlocutores usando pseudônimos (Muovia Regari, Abu Aisha, Muhammad, Abu Fotima, etc.) num fórum intitulado "Caminho para o Califado Islâmico".

Para vários desses interlocutores, ele havia explicado querer "esmagar infiéis".

Rakhmat Akilov teve seu pedido de asilo negado em junho de 2016. Ele então se escondeu para evitar sua expulsão.

A polícia uzbeque o acusou de tentar se juntar ao EI na Síria via Turquia em 2015. Nenhuma evidência confirma essas alegações.

O acusado deve falar a partir de 20 de fevereiro. O veredicto é esperado para junho.

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