Machado foi encontrado após denúncia anônima, mas polícia não vincula objeto ao crime. Tainá Carina, de 21 anos, desapareceu em outubro de 2017 em Monte Negro (RO).

A Polícia Civil de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, esclareceu nesta semana que as diversas informações precipitadas têm atrapalhado o trabalho na investigação sobre o desaparecimento da jovem Tainá Carina de Lima Mendonça. Ao G1, o delegado regional disse que as investigações voltaram a 'estaca zero' e que agora trabalham com uma linha segura.

A grávida, de 21 anos, sumiu no final de outubro de 2017, quando saiu de casa para cobrar a pensão do ex-marido e exigir que ele assumisse a paternidade do filho que esperava em Monte Negro (RO).

No último domingo (11), a Polícia Militar (PM) encontrou um machado em um terreno baldio localizado na Avenida Carlos Chagas, em Monte Negro, após receber uma ligação anônima que informava que o objeto havia sido utilizado para assassinar e esquartejar a jovem.

A pessoa que denunciou ainda disse que avistou um suspeito saindo do terreno com o machado dentro de uma sacola plástica, mas que ele se desfez do objeto ao ser visto e fugiu do local.

Na segunda-feira (12), o delegado regional de Ariquemes, Rodrigo Duarte, disse que a Polícia Civil foi pega de surpresa com o machado encontrado, mas salientou que até o momento, não vincula nenhuma possibilidade do objeto estar relacionado com o crime.

?Nós fomos surpreendidos, mas admito que o caso já é dramático por si só, entãoo não precisa de uma carga maior ainda de dramaticidade e de especulação. Estamos cansados de trabalhar com informações improcedentes, só para atrapalhar, então a Polícia Civil trata essa apreensão como um objeto encontrado em um terreno baldio, sem nenhum vínculo com o caso. Nós já estamos saturados com informações desencontradas e fantasiosas, então para nós, é somente um machado encontrado em um terreno e nada mais do que isto?, explica.

Apesar disto, o delegado relata que em razão da denúncia anônima, o machado será submetido a uma perícia para ver se possui marcas de sangue e se se ele é compatível com o DNA de Taina Carina. Todo este trabalho não é bem-visto pelo delegado.

?Vamos ter que averiguar mais uma vez, sendo que já teve de tudo em informações que vieram no curso do inquérito e só jogaram a polícia de um lado para outro e nos reduziram hoje a condição que nós estamos. Nós tivemos que iniciar praticamente toda a investigação do zero em razão das informações obtidas que nos levaram a um suspeito que não foi o correto?, comenta Rodrigo Duarte.

Porém, Duarte revelou que a Polícia Civil iniciou uma nova linha de investigação e que os trabalhos estão em andamento por meio de uma informação mais segura e confiável.

?Uma informação foi encaminhada para a direção-geral, e esta sim, uma informação que foi trabalhada, averiguada, motivo estudado, fonte verificada, que nos leva a um caminho diferente desse que estávamos até agora. O grau de probabilidade é muito grande por que ela decorre de um motivo concreto, temos um suspeito em potencial, temos alguns dados que nos leva a crer em que possa ter sido essa pessoa infratora e ela vem de uma fonte bem segura?, finaliza o delegado.

O caso

Tainá Carina desapareceu no dia 27 de outubro de 2017, depois de dizer aos familiares que iria até a residência do ex-marido, para exigir que ele pagasse a pensão da filha de cinco anos que eles tiveram e para que ele assumisse a paternidade do filho que esperava. A jovem estava no oitavo mês de gestação e o parto estava marcado para o dia 14 de novembro de 2017.

O ex-marido de Tainá foi preso no dia 28 de outubro, por ser o principal suspeito no desaparecimento da jovem, mas ele comprovou que estaria em uma autoescola do município e foi solto.

No dia 1º de novembro, a Polícia Civil começou a tratar o caso como homicídio e buscas foram realizadas em propriedades rurais da região.

No dia 7 de novembro, familiares da jovem fizeram um protesto que chegou a fechar por algumas horas a BR-421, que liga Ariquemes a Monte Negro.

A PM encontrou no dia 8 de novembro uma casa localizada na zona rural de Monte Negro, que poderia ter servido como cativeiro para a jovem. Em diversas entrevistas e vídeos, a mãe da jovem sempre afirmou que acreditava na possibilidade de encontrar a filha viva. Ela chegou a reconhecer uma calcinha e um batom de Tainá encontrado no suposto cativeiro, mas a polícia confirmou que os objetos não eram da grávida.

No dia 18 de janeiro deste ano, o cunhado de Taina Carina foi preso por usar o número de celular da jovem. Segundo a Polícia Civil, ele não era suspeito do desaparecimento de Tainá, mas a prisão aconteceu para esclarecimentos sobre o uso do número da grávida em um aplicativo de mensagens.

O cunhado de Tainá foi solto cinco dias depois, após a mãe e a irmã da jovem confessarem que colocaram o chip no celular do cunhado da grávida sem o conhecimento dele.


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