Dez pessoas foram assassinadas durante confronto de facções na cadeia pública de Itapajé, nesta segunda-feira (29).

As armas que entraram na cadeia pública de Itapajé, local onde houve uma chacina com 10 mortes no interior do Ceará, por meio de um "interno de confiança", entregue por uma adolescente. Os internos de confiança são detentos que têm a liberdade de exercer certas atividades dentro da cadeia, como limpeza e cozinha. Oito presos foram indiciados pelo massacre de 10 internos.

O conflito entre membros de facções na cadeia pública de Itapajé resultou na morte de 10 pessoas. O confronto começou por volta das 8h de segunda-feira (29), quando grades das celas foram serradas. Agentes penitenciários viram a confusão e acionaram o Batalhão da Polícia Militar.

Segundo o delegado responsável pelo caso, a garota que entregou as armas foi coagida a fazer a encomenda. "Ela confessou todos os pormenores da situação. O esposo dela, que estava preso lá, determinou: 'Vá lá e traga [as armas], eu vou precisar'."

A garota que entregou as armas ao detento foi ouvida por policiais e liberada, mas segue sendo investigada.

'Superlotação'

Segundo André Firmino, a "superlotação" na unidade foi um dos fatores que levaram ao confronto. "O grande motivo foi esse: conflito entre eles e a superlotação." O local tem capacidade para 40 pessoas e abrigava 84 no momento do confronto.

"A pessoa que tentou colocar as armas no interior do presídio tentou na quinta-feira [25, quatro dias antes do massacre] e não conseguiu, a polícia passou em frente bem na hora, e ela não conseguiu. No domingo [28], depois do jantar, quando não havia mais ninguém, essa pessoa encontrou o momento oportuno e entregou [as armas] a um preso. E esse preso levou essas duas armas e essa quantidade de munição, quase 40 munições, até a cela do grupo criminoso", explica o delegado Itapajé, André Firmino.

Segundo a investigação, o confronto ocorreu devido um conflito interno e não tem relação com a chacina ocorrida em Fortaleza dois dias antes, no Forró do Gago. "Não tem relação com conflitos internos, isso está bem delineado. Eles tiveram atritos entre eles. Em dezembro, já achando por bem, eu solicitei da juíza local uma revista no presídio", afirma o policial André Firmino.

Transferências

Após o confronto, a maior parte dos presos da unidade foi transferida para unidades em Fortaleza. Atualmente a cadeia de Itapajé funciona com 26 presos, segundo a Secretaria da Justiça. Três homens feridos no conflito estão em hospitais e 44 homens foram transferidos para outras unidades prisionais.

As vítimas identificadas são:

  • Alex Pinto Oliveira, 24 anos - responde por roubo, porte ilegal de arma e outros crimes
  • Antônio Jonatan de Sousa Rodrigues, 22 anos - responde por roubo e corrupção de menor
  • Artur Vaz Ferreira, 26 anos - responde por furto e porte ilegal de arma de fogo
  • Francisco das Chagas , 24 anos - responde por lesão corporal, porte e posse ilegal de arma
  • Francisco Idson Lima de Sales, 19 anos - responde por tentativa de homicídio e roubo
  • William Alves do Nascimento, 20 - responde por crime de trânsito e homicídio consumado

O delegado Firmino afirmou que o conflito começou no horário do banho de sol dos presos, por volta das 8h. O policial civil disse ainda que somente um agente penitenciário realizava a segurança na cadeia.


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