Suspeito, apontado como piromaníaco, disse à polícia que tinha aversão a venezuelanos e confessou ataques a residências. Ele é guianense e morador de rua.

A Polícia Civil prendeu na noite deste sábado (10) o guianense Gordon Fowler, de 42 anos. Ele é suspeito de ter ateado fogo em duas casas de venezuelanos em Boa Vista. Cinco pessoas ficaram feridas nos ataques, incluindo uma menina de 3 anos.

Segundo Cristiano Camapum, delegado do caso, o suspeito, que é conhecido como 'Jamaica' confessou os crimes e afirmou ter raiva de venezuelanos. Ele é morador de rua e foi encontrado por volta das 21h em uma casa abandonada no bairro Mecejana, zona Oeste da capital, próximo a uma das residências atacadas.

No depoimento, o suspeito disse também que um venezuelano roubou uma bicicleta dele, e que foi agredido por outros imigrantes desconhecidos. Câmeras de segurança flagraram o primeiro ataque cometido pelo suspeito, no dia 5.

"Ele criou uma aversão aos venezuelanos por estarem disputando um 'mesmo espaço'. De algum modo ele se sentiu prejudicado, disse que era mal tratado na rua e que teve conflitos com outros venezuelanos. É um piromaníaco", detalhou Camapum, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH).

Ao ser abordado pelos policiais, quando iria entrar na residência abandonada, o suspeito não resistiu à voz de prisão. A polícia chegou até o endereço após investigações.

No momento da prisão, 'Jamaica' vestia a mesma roupa usada em um dos ataques. Com ele, a polícia encontrou o material usado nos crimes: isqueiro, garrafas com álcool e vestígio de gasolina. Até então, o suspeito não tinha passagem pela polícia.

Na delegacia, ele prestou depoimento e também contou ter escolhido as vítimas pela facilidade em serem alcançadas, por dormirem em locais semiabertos, sem portas ou janelas, e por pernoitarem no bairro Mecejana, onde ele também se abrigava em imóveis abandonados.

Após depor, ele foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, que estavam dormindo no momento dos ataques.

"O motivo torpe foi por ele ter se vingado em pessoas inocentes que não tinham nada a ver com os dissabores que teve com outras pessoas", relatou Camapum.

O delegado disse ainda que o suspeito também é o autor de um ataque semelhante em um posto de gasolina em janeiro. Na ocasião, um venezuelano ficou ferido. O posto fica ao lado da casa onde ocorreu o segundo incêndio. "Também foi ele, mas a vítima não procurou a polícia".

O guianense foi levado para audiência de custódia onde ficará definido se ele fica preso ou se responderá em liberdade.

Ataques a residências

Foram dois incêndios em três dias em casas no bairro Mecejana, na zona Oeste da capital, onde moram os imigrantes.

O primeiro ocorreu na madrugada de segunda (5) e uma mulher de 24 anos foi atingida pelas chamas enquanto dormia em uma rede na varanda de casa. Um homem também se machucou. Ao todo, 31 imigrantes moram nessa casa.

Vídeo mostra homem atirando produto inflamável dentro de residência em Boa Vista

O segundo ataque foi na terça (8) quando uma menina de 3 anos e o pai dela ficaram feridos após os suspeito atear fogo no quarto onde as vítimas dormiam. Nessa residência vivem 13 pessoas.

A menina teve queimaduras de segundo grau e está internada no Hospital da Criança. O pai permanece na ala de trauma do Hospital Geral de Roraima e teve 36% do corpo queimado. Apenas a mãe da criança recebeu alta.

Venezuelanos em Roraima

Desde 2015, milhares de venezuelanos tem migrado para Roraima em busca de qualidade de vida. No estado, eles reclamam da crise no país vizinho, falta de comida, medicamento, emprego e segurança. Quatro abrigos para imigrantes foram criados em Roraima para receber venezuelanos em dificuldades, mas muitos vivem nas ruas ou dividindo casas alugadas.

Na capital, Boa Vista, centenas de imigrantes são vistos nas ruas da cidade, praças e avenidas pedindo comida e emprego. Eles também fazem fila todos os dias em frente a sede da Polícia Federal para conseguir o visto de permanência no país.

Na quinta-feira (8) os ministros da Justiça, Torquato Jardim, Defesa, Raul Jungmann, e do Gabienete de Segurança Internacional, Sérgio Etchegoyen, estiveram em Boa Vista para discutir medidas para o intenso fluxo de imigrantes do estado.


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