O Ministério da Defesa russo confirmou nesta segunda-feira que um de seus jatos interceptou um avião espião dos Estados Unidos no espaço aéreo internacional sobre o Mar Negro.

Moscou afirmou que o avião de vigilância estava indo em direção ao espaço aéreo russo e destacou que "todas as precauções necessárias" para evitar uma situação perigosa foram tomadas.

Já o Pentágono descreveu a intercepção como "insegura".

A tenente-coronel Michelle Baldanza, porta-voz do Pentágono, afirmou que o avião de guerra russo chegou a cinco metros do avião de espionagem dos EUA, forçando-o a desviar-se e concluir a sua missão prematuramente.

Ela acrescentou que a intercepção era insegura porque a aeronave cruzou a frente da aeronave Poseidon, expondo o avião norte-americano à turbulência deixada pela vigília dos caças russos Su-27. Como resultado, o Poseidon experimentou "um giro de 15 graus e uma turbulência violenta".

Outra declaração veio das Forças Navais dos EUA, Europa-África, na qual corroboraram as alegações do Pentágono.

"Em 29 de janeiro de 2018, um avião US-3 Áries que voava no espaço aéreo internacional sobre o Mar Negro foi interceptado por um SU-27 russo", disse o comunicado de imprensa de segunda-feira.

"Esta interação foi determinada como insegura devido ao fechamento do Su-27 dentro de cinco pés e atravessando diretamente através da trilha de vôo do US-3, fazendo com que o US-3 voasse através da trilha do jato Su-27. A duração da intercepção durou duas horas e 40 minutos", continuou.

O Ministério da Defesa russo rejeitou as alegações, dizendo que tomaram todas as precauções necessárias para evitar uma situação perigosa durante a interceptação.

"A tripulação do avião de combate informou a identificação de um avião de reconhecimento norte-americano e acompanhou o avião espião, impedindo que ele violasse o espaço aéreo russo enquanto observava todas as medidas de segurança necessárias", afirmou o ministro em um comunicado.

"O jato de caça russo Su-27 conduziu todo o voo em estrita conformidade com as regras internacionais sobre o uso do espaço aéreo. Nenhuma situação extraordinária ocorreu durante a intercepção", acrescentou a nota.

O incidente ocorreu em céus internacionais sobre o Mar Negro, a poucos quilômetros do espaço aéreo russo. A OTAN e a Rússia mantêm importantes pressões militares na região.

Informações anteriores do incidente publicadas pela CNN identificaram os aviões envolvidos como um P-3 Orion e um Su-30. As declarações dos ministérios de Defesa de ambas as nações provaram que tais relatos foram aparentemente errôneos.

Em dezembro, caças norte-americanos F-22 interceptaram aviões russos de ataque Su-25 nos céus da Síria. Tal como acontece com o incidente do Mar Negro, as duas nações ofereceram diferentes contas do evento: os EUA alegaram ter interceptado os Su-25 após terem atravessado várias vezes uma linha de conflito, enquanto Moscou afirmou que seus aviões não faziam isso e o F-22s os interceptaram ilegalmente.


Publicidades