Decisão não deve abrir exceções; países têm reagido ao anúncio do presidente americano de impor tarifa de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados.

Trump é duramente criticado por tarifas sobre importações de aço e alumínio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com líderes mundiais sobre seu planejado aumento de tarifas sobre o aço e alumínio e não está considerando nenhuma isenção à medida, disse o secretário de Comércio, Wilbur Ross, neste domingo (4), dando a entender que não abrirá exceções em sua decisão.

"Eu sei que ele teve conversas com vários líderes mundiais", disse Ross em entrevista ao programa "This Week", da ABC.

"A decisão obviamente é dele, mas dado o momento e até onde eu sei, ele está falando sobre uma medida bastante ampla. Ainda não o ouvi descrever isenções específicas", disse Ross.

Na quinta-feira (1), Trump disse que os Estados Unidos aplicariam uma taxa de 25% sobre o aço importado e de 10% sobre o alumínio para proteger os produtores nacionais, provocando uma tempestade de críticas dos parceiros comerciais e impactando os mercados de ações.

Ross minimizou os possíveis efeitos das tarifas propostas sobre a economia dos EUA. Ele disse que a quantidade total de tarifas que o governo dos EUA propõe é de cerca de US$ 9 bilhões por ano, uma fração de 1% da economia.

"Então a noção de que isso destruiria muitos empregos, elevaria os preços, perturbaria as coisas está errada", disse Ross.

Ameaças da UE

O secretário de comércio avaliou as ameaças da União Europeia de implementar tarifas de retaliação sobre produtos americanos emblemáticos, incluindo motos Harley Davidson, o uísque bourbon e o jeans Levi's, como triviais e um "erro de arredondamento".

No sábado, Trump ameaçou as montadoras europeias com um imposto sobre as importações se a União Europeia optar pela retaliação.

Ross disse que os europeus estavam discutindo uma quantidade bastante trivial de tarifas de retaliação, somando cerca de US$ 3 bilhões em mercadorias.

"Pelo tamanho da nossa economia, isso é uma pequena, pequena fração de 1%", afirmou Ross. "Então embora isso possa afetar um produtor individual por algum tempo, no geral não será muito mais do que um erro de arredondamento".

Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), as tarifas são danosas à economia global e dos EUA. O FMI pediu aos países para trabalharem para resolver discordâncias comerciais sem atos extremos.

Brasil afetado

O Brasil deve ser um dos países mais afetados pela medida. Mais de 40% da produção de aço brasileira é exportada, e o mercado americano é o principal destino (32,9% das exportações, contra 9,2% da Argentina e 6,6% da Alemanha).

O Brasil é o segundo país que mais exporta aço para os EUA (4,7 milhões de toneladas em 2017), atrás apenas do Canadá (5,8 milhões) e à frente de Coreia do Sul (3,7 milhões), México (3,2 milhões) e Rússia (3,1 milhões).

O ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Jorge de Lima, afirmou que o governo Temer pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a taxa.


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