Pesquisador do Ipea, ele estava na Secretaria de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria do Ministério da Fazenda. Novo secretário é mais ativo em redes sociais.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto Almeida, que estava no comando da Secretaria de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria do Ministério da Fazenda, foi anunciado como novo secretário do Tesouro Nacional.

Ele entra no lugar de Ana Paula Vescovi, que está deixando o cargo para assumir a secretaria-executiva da pasta. As mudanças fazem parte da composição da equipe do novo ministro, Eduardo Guardia. Este entrou no lugar de Henrique Meirelles, que deixou o governo para tentar se candidatar à Presidência da República pelo MDB, partido do presidente Michel Temer.

Com a mudança, a Secretaria de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria do Ministério da Fazenda passará a ser comandada pelo economista Alexandre Manoel Angelo da Silva, atual subsecretário de Governança Fiscal e Regulação de Loteria. Além disso, o ministro Eduardo Guardia informou que também decidiu indicar Ariosto Antunes Culau para o cargo de secretário-executivo-adjunto da pasta.

Novo chefe do Tesouro

Mansueto Almeida é formado em economia pela Universidade Federal do Ceará, é Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e cursou Doutorado em Políticas Públicas no MIT, Cambridge (USA), mas não defendeu a tese.

Almeida é técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, tendo assumido, entre outros, os cargos de coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati.

Quando era pesquisador do Ipea, Mansueto Almeida concedia muitas entrevistas para a imprensa, principalmente expondo análises sobre o comportamento das contas públicas, possuía um blog sobre desenvolvimento local, política econômica e crescimento (desativado quando entrou no governo), e participava ativamente nas redes sociais. Depois que ingressou no Ministério da Fazenda, continuou postando no Twitter, mas em menor frequência.

O novo titular da Secretaria do Tesouro Nacional tem como objetivo principal tentar atingir a meta fiscal deste ano, fixada em um rombo de até R$ 159 bilhões para as contas do governo. Com a recuperação da economia, embora em um ritmo menor do que o esperado anteriormente, a expectativa do mercado é de que essa meta seja atingida com folga.

Para o ano que vem, o governo manteve, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), encaminhada ao Congresso Nacional na última semana, uma meta fiscal com um déficit de até R$ 139 bilhões e informou que o próximo goerno deverá pedir ao Legislativo uma licença para um crédito especial (endividamento) de até R$ 256 bilhões.

Esse crédito visa tornar o orçamento compatível com a "regra de ouro" - que permite que o governo se endivide para levantar recursos para investimentos, pois geram emprego e renda, mas não para fazer frente às despesas correntes. Esse é o patamar que a dívida pública subiria acima dos invesimentos, o que é vetado pela regra.

O governo observou que a parcela "manejável" do Orçamento, ou seja, sobre o qual o governo tem controle, será de pouco menos de R$ 100 bilhões no próximo ano, abaixo, portanto, do valor de descumprimento da "regra de ouro". Caso a regra seja descumprida, o presidente da República pode ser processado por crime de responsabilidade.


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