Taxa mínima nas linhas com recursos da poupança na Caixa caiu de 10,25% para 9% ao ano, mas juros cobrados pelo banco não são os mais baratos do mercado.

Caixa Econômica Federal reduz juros dos financiamentos de imóveis

Com a redução dos juros para financiamento da casa própria, anunciada nesta segunda-feira (16) pela Caixa Econômica Federal, as taxas mínimas de crédito imobiliário cobradas pelos maiores bancos passaram a ficar bem próximas, segundo levantamento do G1.

A redução dos juros para financiamento de imóveis da Caixa acontece depois de 17 meses de taxas congeladas nas linhas de crédito que utilizam recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo e após o banco ter perdido a liderança neste segmento. A última redução de taxas do banco para crédito imobiliário tinha ocorrido em novembro de 2016 e desde o ano passado o banco deixou de ter os menores juros.

Apesar do realinhamento feito pela Caixa, em algumas das linhas os juros cobrados pela concorrência continuam mais baixos.

Nas linhas do Sistema de Financiamento de Habitação (SFH), para residenciais de até R$ 800 mil para todo o país, exceto para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, cujo limite é de R$ 950 mil, a taxa mínima na Caixa caiu de 10,25% para 9% ao ano, igualando com a cobrada pelo Itaú.

Já nas linhas do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), para imóveis mais caros, o juro caiu de 11,25% para 10% ao ano ? ainda acima do que os cobrados por Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander. Veja tabela abaixo:

Comparativo de juros para financiamento imobiliário

Banco Sistema Financeiro Habitacional (SFH) Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) pró-cotista FGTS limite do financiamento
Caixa a partir de 9% ao ano + TR a partir de 10% ao ano + TR a partir de 7,85% ao ano + TR 80% do valor para imóveis novos e 70% do valor para usados
Banco do Brasil a partir de 9,24% ao ano + TR indisponível 9% ao ano + TR Até 80% do valor do imóvel (tanto para novos como usados)
Itaú Unibanco a partir de 9% ao ano + TR a partir de 9,5% ao ano + TR não opera 82% do valor do imóvel, com valor mínimo de R$ 80 mil (tanto para novos como usados)
Bradesco (dados de março) a partir de 9,3% ao ano + TR a partir de 9,7% ao ano + TR não opera não informado
Santander a partir de 9,49% ao ano + TR a partir de 9,99% ao ano + TR não opera Até 80% do valor do imóvel (tanto para novos como usados), podendo incluir mais 5% para despesas como ITBI e registro

Segundo dados do Banco Central, as taxas médias de mercado para financiamento imobiliário para pessoas físicas caíram de 15,4% em janeiro de 2017 para 11,3% em fevereiro deste ano, em meio a trajetória de queda da Selic, atualmente em 6,5% ao ano. Já as taxas médias reguladas, que compreende as operações com recursos do FGTS, recuaram de 10,9% para 8,3%.

As taxas de juros variam conforme os diferentes tipos de financiamentos imobiliários. Aqueles realizados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e pela linha pró-cotista costumam ter as taxas mais baixas, já que são regulados pelo governo e utilizam recursos da caderneta de poupança e do FGTS. O nível e tempo de relacionamento com o banco, valor do imóvel, bem como o perfil e renda do consumidor também costumam influenciar diretamente os juros cobrados pelos bancos.

Não houve alteração nos juros cobrados pela Caixa na linha Pró-Cotista, que teve o teto de financiamento elevado para 70% em janeiro nos imóveis usados. Para se enquadrar na modalidade, é necessário comprovar, no mínimo, 36 meses de trabalho sob o regime do FGTS ou saldo em conta vinculada de, no mínimo, 10% do valor da avaliação do imóvel.

Teto de financiamento

A Caixa anunciou que o limite de valor de financiamento de imóveis usados subiu de 50% para 70%. Para unidades novas, foi mantido o percentual de 80% no teto do financiamento. Antes das mudanças feitas em agosto do ano passado, a Caixa financiava até 80% de imóveis usados e até 90% de imóveis novos.

Na concorrência, o limite padrão é de até 80% do valor tanto para imóveis novos como usados.

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Pespectivas para o crédito imobiliário

A Abecip, associação que representa as instituições que atuam no segmento, prevê expansão do crédito imobiliário com recursos da poupança ao redor de 10% em 2018, para R$ 48 bilhões (ante R$ 43 bilhões em 2017), após 3 anos seguidos de queda, apoiada por juros menores e pela recuperação da economia brasileira. Para financiamentos imobiliários com recursos do FGTS ? direcionados em sua maioria para habitação popular ? a previsão é de que o volume de desembolsos cresça ao redor de 19% neste ano, alcançando cerca de R$ 69 bilhões.

No acumulado dos dois primeiros meses de 2018, o volume de empréstimos com recursos da poupança aumentou 22%, para R$ 7,39 bilhões.

No acumulado em 12 meses, o montante financiado ainda tem queda de 3,6% na comparação com os 12 meses anteriores.

Em fevereiro, a Caixa foi ultrapassada por concorrentes na liderança do crédito imobiliário com recursos da poupança pelo 4º mês consecutivo. No mês, a liderança ficou com o Bradesco, com R$ 1 bilhão em empréstimos. A Caixa ficou em 2º lugar, com R$ 783 milhões em crédito imobiliário com recursos da poupança. Na sequência, estão Santander (R$ 712 milhões), Itaú Unibanco (R$ 654 milhões) e Banco do Brasil (R$ 266 milhões).

Por concentrar a grande maioria das operações financiadas com recursos do FGTS, a Caixa ainda segue com folga como o principal agente financeiro de crédito imobiliário, com participação de 69% no consolidado de 2017.

Crédito imobiliário em queda
Volume contratado para compra da casa própria em linhas com recursos da poupança, em R$ bilhões
Fonte: Abecip

Segundo o presidente da Caixa, Nelson Antônio de Souza, a redução das taxas de juros facilita o acesso à casa própria, além de estimular o mercado imobiliário e a geração de empregos.

A iniciativa, segundo consultores, pode aquecer o mercado de imóveis que está há bastante tempo a espera de compradores. Mesmo assim, economistas dizem que comprar um imóvel para pagar a longo prazo exige planejamento.

"O pegador de crédito deveria ter essa consciência, dinheiro ainda está caro. Sob esse ponto de vista é muito melhor ainda, por mais que a taxa de juros tenha caido, as pessoas se planejarem, fazerem as contas para tentar não antecipar esse credito, tentar poupar e para depois comprar o imóvel", afirma o economista José Kobori.


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