Ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer disse em depoimento que 'amigos de longa data o lançaram no vale dos leprosos'.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima disse nesta terça-feira (6) em depoimento à Justiça Federal em Brasília que telefonemas para Raquel Pitta, mulher do operador Lúcio Funaro, eram humanitários, por solidariedade, e que nunca fez ameaças a ela.

"Me coloquei a ajudar, eram ligações humanitárias. Manifestei solidariedade com sua esposa e filha", afirmou Geddel.

Segundo as investigações, Geddel fez contatos telefônicos constantes com Raquel Pitta com o objetivo de impedir acordo de delação premiada Lúcio Funaro, apontado por investigadores como operador de propinas de políticos do PMDB.

O depoimento de Geddel faz parte do processo onde ele é acusado de obstrução de justiça por suposta tentativa de atrapalhar a delação de Lúcio Funaro, quando ele estava em tratativas com a Procuradoria Geral da República.

Logo no início do depoimento, questionado pelo juiz Vallisney de Oliveira sobre seu estado de espírito, Geddel afirmou "que amigos de longa data me lançaram no vale dos leprosos". O depoimento de Geddel durou cerca de 30 minutos.

Geddel afirmou diversas vezes que as ligações para Raquel Pitta eram solidárias. Também disse que nunca ofereceu vantagens e que ninguém do governo cobrava as informações tratadas entre os dois.

Por orientação da defesa, Geddel não respondeu às perguntas do Ministério Público. Geddel se manifestou em apenas um momento, afirmando não ter conhecimento do número de ligações feitas à Raquel Pita.

Em audiência de custódia, em junho do ano passado, Geddel afirmou que havia feito pelo menos 10 ligações.

Investigações

Geddel está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde setembro do ano passado por causa de outra investigação: a origem dos R$ 51 milhões encontrados em malas e caixas em um apartamento em Salvador, atribuído a ele.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela primeira vez em julho de 2017 acusado de agir para atrapalhar investigações da Operação Cui Bono, que apura fraudes na liberação de crédito da Caixa Econômica Federal ? o ex-ministro foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff.

A investigação, que se concentra no período em que Geddel ocupou o cargo, teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha.

O Ministério Público Federal (MPF) argumenta que Geddel atuou para evitar possíveis delações premiadas do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e de Lúcio Funaro, ambos presos pela Operação Lava Jato e também investigados na Cui Bono.

Dias depois da prisão, o desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), autorizou o ex-ministro Geddel Vieira Lima a deixar a Papuda para cumprir prisão domiciliar.

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