Há pouco mais de um ano, Geraldo Alckmin celebrava a eleição de João Doria para a Prefeitura de São Paulo como uma vitória pessoal, uma vez que bancou a indicação, contrariando vários setores do partido. Mas, neste momento, a relação entre os dois é de desconfiança e isso já contamina o relacionamento institucional entre o governo do estado e a prefeitura.

A crise entre os dois começou quando Doria, ainda no ano passado, adotou uma agenda de viagens pelo país que demonstrava seu desejo de ser candidato a presidente da República.

Alckmin quer esta vaga e já deu passos importantes para isso, como assumir a presidência do PSDB. Depois de um período de forte desgaste, Doria pareceu recuar e passou a mirar numa candidatura ao governo do estado de São Paulo. Os aliados de Alckmin, maldosamente, dizem que só o que Doria quer é sair da prefeitura.

O estresse na relação entre eles chegou ao ponto mais alto nos últimos dias. Primeiro, o governo de São Paulo interditou uma usina de asfalto da prefeitura de São Paulo sem abrir qualquer negociação, o que irritou Doria, que viu prejudicada sua ação de tapa-buracos na cidade neste período de chuvas. O troco veio na reunião da Executiva Nacional do PSDB.

No encontro nacional, em Brasília, Doria pressionou para que fosse marcada para março a data das prévias em São Paulo para a escolha do candidato a governador. Alckmin não gostou e chegou a dizer que não seria "encurralado" por ninguém.

Para o governador e presidente do PSDB, as prévias em São Paulo deveriam ser realizadas em abril, portanto, depois do prazo de desincompatibilização. Aí é Doria que não aceita. Ele quer enfrentar as prévias no cargo de prefeito e, se não for vitorioso, poderia escolher permanecer no cargo ou mudar de partido. Se ficar para depois, teria de sair do cargo sem um destino definido.

Doria enfrentou prévias para ser escolhido candidato à prefeitura e, com o apoio de Alckmin, venceu. Desta vez, os dois ficariam em campos opostos. Geraldo Alckmin não falou o que pretende fazer em São Paulo, mas seus mais fiéis escudeiros estão se movimentando pela candidatura do vice Márcio França, do PSB.

O grupo de Doria diz que o PSDB, que governa o estado desde 1994, não deixará de ter candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Alckmin tem hoje o PSDB praticamente assegurado para disputar a presidência da República. Mas o temor dele é que, se não subir logo nas pesquisas, Doria mude de planos e comece a se movimentar para ocupar a vaga.

Segundo amigos, Alckmin não engoliu os movimentos de Doria no ano passado para se tornar candidato a presidente.

A relação entre eles não fugiu à regra da política segundo a qual a criatura sempre se volta contra o criador.

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