Ao G1, ator da série 'Rua Augusta' faz paralelo entre carreira artística e a carreira de advogado: 'Tudo se aproveita'.

Em setembro de 2015, Lourinelson Vladmir venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília por seu trabalho em ?Pra minha amada morta?. E foi nos bastidores do filme que o ator definiu que seu nome de batismo viraria o artístico, desistindo de Lori Santos.

?Eu não esperava ser ator profissional quando fiz minhas primeiras peças, então nunca dei muita relevância para o modo como era apresentado nos cartazes?, conta ao G1.

Até que:

?Quem sempre me repreendeu ? embora carinhosamente ? foi a Letícia Sabatella. Ela não se conformava que, tendo um nome como Lourinelson Vladmir, eu usasse Lori Santos", recorda.

"Em 2014, rodávamos o longa ?Para Minha Amada Morta? em Curitiba. E eu, o diretor Aly Muritiba, Mayana Neiva e Fernando Alves Pinto, com a Letícia, estávamos jantando. Aí ela resolveu atiçar o assunto. A mesa foi unânime de que era um desperdício. Lourinelson Vladmir ficaria muito melhor no cartaz. Entre risos e brindes, me rebatizei Lourinelson Vladmir?, relembra.

E é assim que ele assina seu próximo trabalho para a TV. Após participar da série "Carcereiros", o ator está em ?Rua Augusta?, que estreia no TNT em 15 de março. Baseada na obra israelense ?Allenby St?, a série é protagonizada por Fiorella Mattheis.

Amor aguerrido

Na trama, Lourinelson vive Alex, dono da boate Hell, pai de Nina e um cara acostumado a ter tudo sob controle. Até se encantar por Mika, personagem de Fiorella.

?Me identifico com uma espécie de amor aguerrido que o Alex cultiva pela vida, pela diversidade das pessoas e pelas inúmeras possibilidades da sua própria vida", explica.

"Gosto de apostar em mim e nas pessoas, olhar além de mim, ferir meus preconceitos. Nem sempre consigo, mas é bom quando tenho essa coragem. Alex obedece ao seu coração, porque sempre é melhor perder um jogo do que não jogar?, analisa o ator.

Para a composição de Alex, Lourinelson visitou lugares com novos olhares e ouviu repetidas vezes músicas de Lou Reed, cantor americano morto em 2013.

?É um trabalho bem divertido esse do ator. Gosto de Lou Reed, mas agora buscava uma overdose. Os vizinhos do hotel devem ter me achado obcecado por ele, mas eu só estava ensaiando minhas cenas?, brinca.

?Não sou muito metódico com relação ao percurso, mas fico muito atento a tudo que encontro. Por exemplo, estava passeando pelo centro de São Paulo e passei em frente a galeria do rock; opa! Eu já tinha estado lá uma ou duas vezes procurando alguma coisa, mas desta vez decidi dar um passeio antropológico, ver as pessoas, os objetos?.

Abordagem de temas complexos

?Rua Augusta? vai abordar temas como drogas e prostituição. E Lourival fala sobre o cuidado que se deve ter ao tratar de assuntos mais pesados ou complexos.

?Todos os temas são importantes. Agora, é preciso ser consequente. Quando o tema é polêmico, ainda mais: não cair no senso comum; no clichê; no preconceituoso; na caricatura".

"Não tratar de modo simplório aquilo que é complexo é um dever. Todas as histórias podem e devem ser contadas. O xis da questão é ?como contá-las?.?

10 anos longe dos palcos

Lourinelson tem passado (duas peças na adolescência) e presente na atuação, mas ficou cerca de 10 anos afastado dos palcos. Nesse intervalo, cursou Direito. Foi lá que se reaproximou da arte por meio de de um amigo que tinha um grupo de teatro. Pensou em voltar a dar aulas em um grupo de teatro, mas desistiu. O foco era ser advogado.

?Um ano depois, vi Luiz Mello fazendo o monólogo ?Sonata Kreutzer?. Enquanto assistia, atinava que poderia, usando um monólogo, aplicar minhas ideias sobre mim mesmo. Ser o médico e o monstro".

"Advogava de dia e passava as madrugadas ensaiando o texto para uma pequena câmera VHS. Analisava as fitas, teorizava e criava métodos para melhorar a performance. Foi um mergulho que abalou as estruturas da minha relação já em processo de desgaste com a advocacia, com a qual rompi como profissão em 2002?.

Mas mesmo com a ruptura, ele não deixou os anos de universidade para trás.

?Para um ator, tudo do direito se aproveita. O ator é um operador e intérprete do da linguagem e também tem, ou deve assumir, a tarefa de contribuir para a humanidade, contra a barbárie que sempre espreita. E, afinal, tanto o direito como o teatro nasceram no mesmo lugar. São filhos da praça pública, da ágora grega, da política e estão sempre no centro da disputa narrativa?.


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