Há cerca de dez anos, ou mais, Zeca Baleiro leu reportagem sobre suposto disco em que Roberto Carlos daria voz somente a músicas de outros compositores. Esperançoso, o compositor maranhense fez imediatamente uma canção para o Rei e a gravou no estúdio apenas com a própria voz e com o toque do piano de Adriano Magoo. Concluída a gravação, Baleiro ? em foto de Silvia Zamboni ? procurou encaminhá-la a Roberto através de amiga do empresário do cantor capixaba.

Baleiro nunca soube se Roberto efetivamente recebeu e ouviu a música. No entanto, satisfeito com o resultado da gravação, decidiu apresentar a canção até então inédita, intitulada Tarde de abril, no repertório de Arquivo_Raridades, coletânea de gravações que Baleiro lança nas plataformas digitais na próxima sexta-feira, 27 de abril. "Quem sabe agora o Roberto a ouça", ironiza Baleiro.

Outro fonograma inédito da compilação é o registro de Baioque (Chico Buarque, 1972) feito por Baleiro em 2013 para a trilha sonora da novela Joia rara, exibida pela TV Globo entre setembro daquele ano de 2013 e abril de 2014. Inutilizada na trilha porque a pegada rock'n'roll da gravação destoou do clima da trama de época, a abordagem de Baioque vem à tona em Arquivo_Raridades ao lado de fonogramas raros como o registro da composição Armadilha (Nelson Coelho de Castro e Denise Ribeiro) feito para a trilha sonora da série Animal, exibida pelo canal GNT em 2016.

A seleção também inclui inéditos registros ao vivo das músicas O chamado (Marina Lima e Giovanni Bizzotto, 1993) ? extraído da turnê do show Era domingo (2016) ? e Ponto de fuga (Chico Maranhão, 1978), samba lançado em disco há 40 anos e ouvido na voz de Baleiro em gravação captada em show feito pelo artista em 2009 na cidade de São Paulo (SP).

Cabe mencionar ainda A estrada me chama (Zeca Baleiro), composta e gravada pelo artista para uma série, O dia em que nos tornamos terroristas, produzida no Maranhão e exibida em 2017 em emissoras de TV da rede pública.


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