Programada para 15 de agosto no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com festa-show em homenagem ao cantor e compositor carioca Luiz Melodia (7 de janeiro de 1951 ? 4 de agosto de 2017), a 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira expõe o fortalecimento do single no mercado fonográfico do Brasil com as mudanças no regulamento, anunciadas esta semana pelo conselho diretor presidido pelo empresário José Maurício Machline, criador do prêmio.

Não por acaso, a partir da edição deste ano de 2018, um artista pode concorrer ao troféu de Melhor Canção mesmo que a música tenha sido lançada de forma avulsa, somente em single, sem necessariamente estar vinculada a um álbum. Essa mudança pode parecer sutil, mas sinaliza o irreversível caminho seguido pela indústria da música na era das plataformas digitais, época em que a música importa mais do que um álbum.

Quando o Prêmio da Música Brasileira foi criado em 1987, o compacto simples já tinha sido diluído no mercado fonográfico do Brasil com o surgimento do CD. O álbum já era a estrela absoluta desse mercado. Não é à toa que, desde a primeira premiação, em 1988, os artistas foram laureados em decorrência de álbuns, não de músicas. Só que, com o advento da era digital, o single recuperou no Brasil um status que perdera em meados da década de 1980.

E uma mudança leva à outra. Com o fortalecimento do single e a consolidação do YouTube, o clipe voltou a ter peso fundamental na propagação de uma canção. Tanto que, nesta 29ª edição, o Prêmio da Música Brasileira reconhece a força do produto audiovisual no atual modelo do mercado musical com a criação da categoria Melhor videoclipe.

Atento aos sinais mercadológicos, o conselho da premiação também decidiu que, a partir da edição de 2018, um disco somente pode concorrer ao prêmio de Melhor álbum se tiver no mínimo oito faixas. Antes, um disco estava habilitado ao troféu de Melhor álbum com cinco faixas. Essa mudança também se revela antenada, já que são crescentes no mercado brasileiro as edições de EPs digitais com cinco ou seis faixas ? e é preciso diferenciar um do outro porque um EP jamais teve a força conceitual de um álbum.

Enfim, o mundo da música vem mudando e o Prêmio da Música Brasileira nada mais faz do que acompanhar essas mudanças e se ajustar a elas com as oportunas alterações de regulamento que já entram em vigor na 29ª edição.


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