Nem a chuva forte nem o trânsito complicado de Copacabana, Rio de Janeiro, foram o suficiente para desanimar os torcedores russos que se reuniram para assistir ao jogo de estreia da seleção anfitriã contra a Arábia Saudita. Pela TV, os expatriados aproveitam para celebrar a festa no país de origem e, do outro lado do mundo, matar a saudade de casa.

A professora e tradutora de russo, Katia Kovalchuk foi a organizadora do encontro. Longe do próprio país há sete anos — cinco deles morando no Rio de Janeiro —, a torcedora acompanhou a Copa do Mundo em 2014 de perto: assistiu a partidas em bares com os amigos brasileiros e também foi ao Estádio do Maracanã para ver a própria seleção jogar contra a Bélgica (a Rússia perdeu por 1x0).

Agora a experiência é outra: pela tela da TV. Ela admite: está com uma pontinha de inveja dos amigos, russos e brasileiros, que terão o privilégio de ver a festa do esporte de perto, mas acredita que a experiência de assistir a Copa no Brasil também vai ser compensador.

"É interessante acompanhar de longe, do segundo país que eu amo que é o Brasil. [Também gosto de] ver meus amigos brasileiros conhecendo a Rússia, postando fotos, ver meu país pelos olhos deles. A empolgação é grande e estamos vendo um interesse que cresce cada vez mais em aprender sobre a cultura russa, o idioma russo. Rússia e Brasil são países muito parecidos, na verdade, na proximidade de energia e cultura. De alguma forma a gente se entende. Até nossos idiomas são parecidos na fonética", acredita.

Consciente da falta de tradição russa no futebol, ela admite que apoiará o Brasil na fase final. Ela, porém, espera que o torneio deixe um legado para as futuras gerações. "Os russos gostam bastante de futebol e com certeza esse tipo de evento traz um impacto muito grande, em crianças e em adultos. Acredito que pode ser um incentivo e espero que um dia a Rússia se torne forte no futebol", diz Katia.

Se depender de Yulia Timofeeva, é exatamente esta a lição que a filha, a pequena Arina Timofeeva de apenas um ano levará da Copa. Casada com um brasileiro que conheceu na Escócia, a russa diz sentir muita saudade do país, mas tenta passar para a menina um pouco dos costumes do seu lado materno. "Eu amo a Rússia, acabei vindo para cá porque me apaixonei e me casei com um brasileiro. Mas encontros como este, com os amigos russos, são importantes para mostrar a Arina a nossa cultura".

Copa de aproximação

Elodie Pigeon é francesa, mas fez questão de levantar cedo, tirar a camiseta da Seleção russa do armário e se encontrar com as amigas russas em torcida pelo time local.

Dona de uma escola de idiomas e vivendo no Brasil há oito anos, ela diz que "a energia está dividida entre Brasil, França e Rússia". Confiante na capacidade do time francês e na esperança de ver os Azuis chegarem à final neste ano, ela também torce para ver os russos superarem ao menos a fase de grupos.

Se na diplomacia, os dois países não vivem os melhores termos, Elodie espera que a festa nos gramados estimule a amizade e a união entre franceses e russos.

"Futebol tem um lado social, isso sempre aproxima as pessoas e nessas horas a gente esquece nossos conflitos".

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