Segundo o Ministério da Saúde, na capital piauiense há mais pessoas com a doença do que os registrados e por isso serão implantadas novidades na notificação e tratamento.

Teresina recebe projeto nacional de tratamento contra hanseníase

Teresina foi uma das cidades escolhidas para dar início ao novo projeto de combate e principalmente de tratamento da hanseníase. Segundo o Ministério da Saúde, há muito mais pessoas com a doença do que há registrado na Fundação Municipal de Saúde (FMS), que em 2017 registrou 385 casos.

"Teresina e Palmas são as duas cidades que vão fazer essa experiência de notificação e tratamento das reações hansênicas, que podem acontecer antes, durante e depois do tratamento. O Ministério da Saúde quer que se dê uma melhor qualidade ao tratamento, a melhor maneira de conduzir esses casos", afirmou a diretora de vigilância em saúde da FMS, Amariles Borba.

O Piauí apresenta 29,1 casos para cada 100 mil habitantes, parâmetro considerado muito alto. O Centro Maria Imaculada trata pacientes enviados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os profissionais da instituição participaram de um encontro com o MS na semana passada, onde puderam conhecer novas alternativas para amparar os pacientes

"A cirurgia é pode diminuir as dores, melhorar a marcha para pacientes que têm o pé caído, melhorar o pegar para os pacientes que têm mão em garra. Vai melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O MS deixou claro para a gente que seria ideal fazer uma cirurgia por semana", disse a coordenadora do Centro Maria Imaculada, Sara Moura.

As sequelas da hanseníase exigem que Francisco Mendes passe por sessões diárias de fisioterapia. Com 56 anos, ele não tem mais forças nos braços e nas pernas, por isso está aposentado. A fase que pode transmitir a doença já passou, mas o tratamento é por toda a vida.

"Fazendo fisioterapia a gente vai vivendo até o dia que Deus quiser, porque das sequelas mesmo ninguém fica bom, só é para ir melhorando. Fiquei bom das manchas, da doença, que não pega mais, mas as sequelas aqui é para o resto da vida e se parar a fisioterapia é arriscado ir para a cadeira de rodas", relatou.

A hanseníase é transmitida pelo contato físico e pela respiração. O principal sintoma é a falta de sensibilidade nas mãos, nos pés e nos braços. A dermatologista Lívia Martins explicou que se trata de uma doença contagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae, que é mais resistente do que uma bactéria comum.

?Inicialmente ela atinge os nervos periféricos, por isso o sintoma inicial é uma dormência. O Mycobacterium também atinge a pele e por isso tem a manifestação de manchas ou caroços, então por isso o tratamento é de no mínimo seis meses", informou.