'Estamos ignorando uma armadilha', diz Antonio Ledezma.

A oposição não irá registrar um candidato para a eleição presidencial do dia 22 de abril na Venezuela, disse o prefeito de Caracas, atualmente no exílio, classificando a votação como uma "armadilha" preparada pelo presidente Nicolás Maduro.

Antonio Ledezma, detido sob prisão domiciliar em 2015, por supostamente planejar um golpe de Estado, antes de escapar para a Colômbia em novembro, pediu uma investigação da ONU sobre violações de direitos humanos na Venezuela e o envio de mais ajuda humanitária para o país.

"Não é um boicote. Nós estamos, na verdade, ignorando uma armadilha. Não podemos chamar de uma eleição, porque sabemos que será uma fraude", disse Ledezma à Reuters em Genebra, onde participava de uma reunião de direitos humanos organizada pelo grupo UN Watch.

"Sim, a eleição uniu a oposição porque nós compartilhamos a opinião de que essa eleição é apenas mais uma mentira do governo", disse, por meio de um tradutor.

A eleição presidencial venezuelana estava inicialmente marcada para o final de 2018, mas em 23 de janeiro a Assembleia Nacional Constituinte anunciou que ela seria antecipada para o primeiro semestre.

Críticos dizem que a eleição é uma farsa, com os principais adversários de Maduro proibidos de concorrer e um órgão eleitoral submisso destinado a decidir a favor do partido governista. Maduro nega que o sistema seja antidemocrático.

"Não haverá nenhum candidato oficial da oposição. Por parte do governo o que temos visto é repressão contra os líderes da oposição, porque eles não querem participar já que isso legitimaria o processo", disse Ledezma, que agora vive na Espanha.

O país com população de 30 milhões de pessoas está perto de um colapso econômico, com inflação de mais de 2.000% no último ano e milhões sem o suficiente para comer.

Eleição parlamentar

Nesta terça, o vice-presidente do governista Partido Socialista da Venezuela, Diosdado Cabello, propôs a realização de uma eleição parlamentar antecipada junto com a eleição presidencial do dia 22 de abril, potencialmente diminuindo o mandato do atual Congresso dominado pela oposição.

A oposição da Venezuela conquistou o controle da Assembleia Nacional em uma votação em 2015, que foi sua maior vitória eleitoral em quase duas décadas do governo socialista. Entretanto, o presidente Nicolás Maduro e o Judiciário pró-governo tornaram o Congresso impotente derrubando todas as suas medidas e realizando uma controversa eleição para estabelecer, no seu lugar uma poderosa Assembleia Constituinte.

Cabello disse, segundo publicações no Twitter da televisão estatal venezuelana, que uma nova votação para a Assembleia Nacional é necessária "pelo interesse nacional" porque o Congresso controlado pela oposição é ineficaz.

No passado, as propostas de Cabello foram enviadas rapidamente à totalmente pró-governo Assembleia Constituinte --que uma série de países se recusa a reconhecer-- onde foram aprovadas.

Críticos devem apontar a proposta de Cabello de antecipar a próxima eleição parlamentar, prevista anteriormente para 2020, como mais uma tentativa de destruir a oposição em um país que, segundo eles, foi transformado em uma ditadura pelos socialistas.

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