O esquema tinha participação de funcionários da prefeitura e de brasileiros, que pagavam propina para agentes públicos atestarem a residência de brasileiros que não atendiam requisitos para obter a documentação.

A cidade italiana de Ospedaletto Lodigiano, na Lombardia, anunciou o cancelamento de mais de mil cidadanias de brasileiros descendentes de italianos que, segundo a prefeitura, não atendiam os requisitos para a concessão do documento.

Uma lista contendo 1.118 nomes foi divulgada no site da prefeitura no último dia 9 de fevereiro. Segundo a agência Ansa, os processos cancelados foram abertos entre julho de 2015 e julho de 2017.

Ainda segundo a imprensa italiana, o esquema tinha participação de funcionários da prefeitura e de um casal de brasileiros, que faziam o repasse de propina para agentes públicos atestarem a residência de brasileiros que não atendiam o tempo mínimo de permanência necessário para obter a documentação. Há ainda casos de brasileiros que sequer foram à cidade e que, mesmo assim, obtiveram o atestado de residência.

Residir na Itália é um requisito fundamental para que um brasileiro possa reconhecer a cidadania no país. Normalmente, o processo feito na Itália é mais rápido do que se feito no Brasil, devido às longas filas de espera dos Consulados para o reconhecimento da cidadania.

A investigação começou no meio do ano passado, e o anúncio do cancelamento dos processos feito apenas nesse mês. De acordo com o "Il Giornale", o esquema possibilitou que, apenas em 2016, 500 brasileiros que nunca se mudaram para a área de Lodi, onde fica a cidade de menos de 2.000 habitantes, obtivessem o direito à cidadania.

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