Secretário de Estado Rex Tillerson foi demitido nesta terça-feira (13). Baixas durante mandato de pouco mais de um ano, entre funcionários que saíram por opção própria ou demitidos, chegam à casa das dezenas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu o secretário de Estado Rex Tillerson nesta terça-feira (13). Ele anunciou Mike Pompeo como substituto, o que ainda fica pendente de aprovação no Senado.

Inicialmente, o presidente não deu explicação para a mudança. Depois, garantiu que tomou a decisão sozinho e admitiu desacordos com Tillerson, principalmente sobre a postura dos EUA diante do Irã.

Trump ocupa a presidência desde janeiro de 2017. Em pouco mais de um ano de governo, a lista de funcionários do alto escalão que deixaram os cargos chega a 20 nomes.

A seguir, relembre outras baixas sofridas durante o mandato.

James Comey

Cargo que ocupava: diretor do FBI

Contexto: Comey havia sido nomeado para o cargo por Barack Obama em 2013 e ficaria no poder por 10 anos. Ele foi demitido por Trump em maio de 2017, em uma decisão inesperada. A justificativa foi a forma como o ex-diretor do FBI teria tratado do escândalo envolvendo e-mails da então candidata democrata à presidência Hillary Clinton.

Trump afirmou, em carta divulgada pela Casa Branca, que Comey ?não consegue exercer a liderança de forma efetiva?. Na época, o presidente dos EUA foi acusado pelos democratas de ter demitido o funcionário por motivos políticos. O episódio foi comparado ao ?massacre de sábado à noite? de 1973, quando o presidente Richard Nixon demitiu um promotor independente que investigava o escândalo de Watergate.

Mike Dubke

Cargo que ocupava: diretor de comunicação

Contexto: Dubke ficou no cargo por três meses e anunciou sua saída da Casa Branca em 30 de maio de 2017. Aos 47 anos, ele afirmou à imprensa que havia tomado a decisão por razões pessoais.

De acordo com o jornal "The Washington Post", o então diretor de comunicação tinha uma relação próxima com Trump, mas enfrentava dificuldades para se aproximar dos colegas ? já que não havia trabalhado nem na campanha eleitoral nem na equipe de transição do governo dos Estados Unidos.

Hope Hicks

Cargo que ocupava: diretora de comunicações

Contexto: Hope era uma das confidentes de Trump desde o início do mandato e havia trabalhado como porta-voz dele durante a campanha presidencial. Ela anunciou sua demissão em 28 de fevereiro de 2018.

Na véspera, a então diretora de comunicações havia prestado depoimento para o Comitê de Inteligência da Câmara dos deputados dos EUA sobre a investigação do envolvimento russo nas eleições americanas de 2016. Na ocasião, ela se recusou a responder a algumas perguntas.

Hope Hicks também se envolveu em uma polêmica com o ex-secretário da Casa Branca Rob Porter, com quem namorava. Ela o defendeu após ele ser acusado de abusos domésticos por duas ex-mulheres.

Rob Porter

Cargo que ocupava: chefe de equipe da Casa Branca

Contexto: Rob Porter era visto frequentemente ao lado do presidente Trump. Sua renúncia ocorreu em 7 de fevereiro de 2018, após ser acusado publicamente de abuso físico e psicológico por duas ex-mulheres. Uma delas, Colbie Holderness, chegou a mostrar fotos em que aparecia com o olho roxo.

Ele alegou inocência.

Steve Bannon

Cargo que ocupava: estrategista-chefe

Contexto: Em 18 de agosto de 2017, Trump demitiu Steve Bannon. O comunicado da Casa Branca afirmava: ?Somos gratos e desejamos a ele o melhor?.

Bannon trabalhava também como diretor do site de notícias ultraconservador Breitbart ? e conseguiu atrair votos desse público para Trump nas eleições presidenciais. O então estrategista-chefe foi responsável por medidas importantes, como a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que tenta frear as mudanças climáticas.

Na semana da demissão, Bannon havia dado uma entrevista contradizendo posicionamentos de Trump, como sobre a relação com a Coreia do Norte. Ele fez piadas também sobre colegas da Casa Branca e do Departamento de Estado.

Gary Cohn

Cargo que ocupava: conselheiro econômico

Contexto: Gary Cohn renunciou ao cargo de conselheiro econômico em 6 de março de 2018. Banqueiro de Wall Street, ele foi fundamental na reforma tributária dos Estados Unidos em 2017.

Cohn lutava contra medidas protecionistas no governo. Ele decidiu deixar a Casa Branca quando Trump anunciou as altas tarifas sobre importações de aço e alumínio.

Anthony Scaramucci

Cargo que ocupava: diretor de comunicação

Contexto: Anthony Scaramucci deixou o cargo de diretor de comunicação da Casa Branca em 31 de julho de 2017. Na semana anterior, o político havia atacado colegas do alto escalão, descrevendo um deles como ?esquizofrênico paranoico?.

"O presidente certamente sentiu que os comentários de Anthony eram inapropriados para alguém naquela posição", disse a porta-voz da Casa Branca Sandra Sanders.

Sean Spicer

Cargo que ocupava: porta-voz

Contexto: O porta-voz do governo Trump, Sean Spicer, pediu demissão em 21 de julho de 2017. Ele teve uma relação truculenta com a imprensa desde o primeiro dia em que ocupou o cargo. Chegou a reclamar que o número de fotos de Trump na cerimônia de posse era menor do que o de Obama. Também afirmou que ?nem Hitler havia usado armas químicas? ? e então foi lembrado pelos repórteres das câmaras de gás.

Spicer virou até personagem de programa de humor nos Estados Unidos.

Reince Priebus

Cargo que ocupava: chefe de gabinete

Contexto: A demissão de Priebus foi anunciada em 28 de julho de 2017. Ele havia sido criticado, naquela semana, pelo então diretor de comunicações da Casa Branca, Anthony Scaramucci. Foi acusado também de ter sido o autor do vazamento de informações confidenciais do gabinete da presidência.

Michael Flynn

Cargo que ocupava: assessor de Segurança Nacional

Contexto: Michael Flynn renunciou ao cargo em 14 de fevereiro de 2017, após se envolver em um escândalo por conversas com Moscou sem tê-las informado à Casa Branca.

Esses diálogos foram interceptados pelo FBI e ocorreram antes da posse de Trump. Abordavam assuntos como a interferência da Rússia nas eleições dos Estados Unidos. Pela lei americana, ele não poderia ter tratado de assuntos diplomáticos antes de assumir o cargo.

Em sua carta de renúncia, Flynn defendeu que as conversas "são uma prática comum em qualquer transição de tal magnitude", e que tinham como objetivo "facilitar uma transição suave e começar a construir uma relação necessária entre o presidente, seus assessores e líderes estrangeiros".

Katie Walsh

Cargo que ocupava: vice-chefe de gabinete da Casa Branca

Contexto: Katie Walsh fez parte da equipe de transição de Trump na presidência. Ela desempenhava a função de vice-chefe de gabinete da Casa Branca e deixou o cargo em 30 de março de 2017, para se tornar conselheira no governo.

Preet Bharara

Cargo que ocupava: procurador de Nova York

Contexto: Bharara havia sido nomeado por Obama e foi demitido por Trump em 15 de março de 2017, após se negar a renunciar ao cargo. "Ter sido procurador em Nova York será para sempre a maior honra da minha vida profissional", afirmou na ocasião.

A decisão, considerada abrupta pela imprensa americana, foi anunciada após Trump demonstrar irritação com o constante vazamento de informações de dentro de órgãos oficiais, inclusive da Casa Branca.

Sally Yates

Cargo que ocupava: procuradora-geral interina

Contexto: Donald Trump demitiu Sally Yates em 30 de janeiro de 2017, após ela declarar que o Departamento de Justiça não defenderia a decisão de proibir a entrada de refugiados de sete países muçulmanos.

"A procuradora-geral interina, Sally Yates, traiu o Departamento de Justiça ao se recusar a garantir a aplicação da ordem legal designada para proteger cidadãos dos Estados Unidos", afirmou a Casa Branca, em comunicado.

Walter Shaub

Cargo que ocupava: diretor do gabinete de ética governamental

Contexto: Shaub deixou o cargo em 19 de julho de 2017 e justificou sua decisão afirmando que ?ao trabalhar com a atual administração, tornou-se claro que são necessárias melhorias no atual programa de ética?.

Trump e Shaub entraram em conflito diversas vezes ao longo da gestão. Em uma delas, o então diretor criticou a forma como eram escolhidos os cargos do alto escalão. Em fevereiro de 2017, outro episódio abalou a relação de ambos. Shaub pediu à Casa Branca que investigasse a assessora presidencial Kellyanne Conway, que havia aparecido na emissora Fox News e feito propaganda de produtos de Ivanka Trump, filha do presidente.

Sebastian Gorka

Cargo que ocupava: deputado-assistente do presidente

Contexto: Gorka renunciou ao cargo em 25 de agosto de 2017, por afirmar que o programa ?Make America Great Again? não estava funcionando. No entanto, a imprensa afirmou na época que o mandato de Gorka já havia acabado e que, portanto, não houve demissão.

Tom Price

Cargo que ocupava: secretário de Saúde

Contexto: Price pediu demissão em 29 de setembro de 2017, após ser acusado de usar aviões do governo em uma série de viagens nas quais poderia ter usado voos comerciais. Ao ser criticado por Trump, ela afirmou que reembolsaria os valores gastos.

Andrew McCabe

Cargo que ocupava: vice-diretor do FBI

Contexto: McCabe pediu demissão em 29 de janeiro, após ser criticado por Donald Trump por ser supostamente a favor da candidata democrata Hillary Clinton.

Perguntado sobre a saída de McCabe, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou a jornalistas: "Posso dizer que o presidente não fez parte desse processo de tomada de decisão". Sanders também afirmou que Trump continua a ter "plena confiança" no diretor do FBI, Christopher Wray.

Brenda Fitzgerald

Cargo que ocupava: diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças

Contexto: Fitzgerald renunciou ao cargo em 1º de fevereiro de 2018. Foi descoberto que ela havia comprado ações de uma empresa japonesa de tabaco.

Omarosa Manigault Newman

Cargo que ocupava: diretora de comunicação

Contexto: Omorosa Newman havia participado do reality show ?O Aprendiz? em 2004. Ela renunciou em 20 de janeiro de 2018, alegando que ?estava buscando novas oportunidades?.

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