Israel deu início à construção de uma barreira marítima com a região a fim de "prevenir infiltrações" em seu território.

Um navio principal e vários barcos pesqueiros palestinos zarparam nesta terça-feira (29) do porto de Gaza para denunciar o bloqueio israelense contra o território palestino, mas foram interceptados pelo Exército israelense, de acordo com os organizadores da manifestação.

As embarcações pretendiam atravessar os limites do bloqueio israelense, que determina uma distância de pelo menos nove milhas náuticas (16,6 km) da costa de Gaza, e chegar ao Chipre. Israel deu início no domingo (27) à construção de uma barreira marítima com a região a fim de "prevenir infiltrações" em seu território.

Em um comunicado citado pela agência Efe, Adham Abu Selmeya, da Comissão Nacional para Desafiar o Bloqueio, que organizou o protesto, afirmou que quatro navios israelenses interceptaram os barcos palestinos pouco depois de navegarem 14km.

No navio principal estavam, além da tripulação, 17 civis palestinos, entre eles dois feridos, vários estudantes e residentes com dupla nacionalidade.

A embarcação tentava chegar ao Chipre acompanhada de outro navio que levava jornalistas e de dezenas de barcos que tinham previsto participar do primeiro trecho da viagem, em um ato organizado pela Comissão da Grande Marcha do Retorno. A ação faz parte das mobilizações que começaram em 30 de março, com manifestações semanais ao lado da fronteira com Israel.

Em um clima alegre, as embarcações partiram do porto, onde desde cedo os viajantes começaram a se reunir, alguns com muletas, outros com bolsas de viagem. Para completar, no porto estavam de bandas de música de alunos e outras pessoas que aceitaram o convite feito pela comissão organizadora.

Barreira marítima

O ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, voltou a culpar o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, pelas incursões em território israelense e defendeu a construção da barreira. "Esta ação frustrará os objetivos do Hamas, que perderá outra capacidade estratégica e enorme quantidade de dinheiro", declarou, segundo a Efe.

A barreira, "um tipo de píer impermeável único no mundo", consistirá em três camadas, incluindo uma abaixo do nível do mar, e estará completa no prazo de um ano, segundo um comunicado oficial.

Aumento da tensão

Protesto com as embarcações acontece em um momento de aumento na tensão da disputa entre israelenses e palestinos.

Algumas horas antes da saída das embarcações, Israel anunciou que interceptou morteiros disparados de Gaza contra o sul do território israelense. Os ataques não provocaram vítimas, mas fizeram com que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prometesse responder com força.

Este foi o maior ataque com morteiros desde a guerra de 2014 entre Israel e Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O exército israelense respondeu nesta terça-feira com bombardeios contra infraestruturas do Hamas e da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza.

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