Gregos consideram que o nome é exclusivo da região do norte da Grécia, cuja capital é Salonica.

Centenas de milhares de pessoas se manifestaram neste domingo em Atenas para exigir que o governo da Grécia não aceite nas negociações com a República da Macedônia que seu nome definitivo inclua o termo "Macedônia".

Sob o grito de "A Macedônia é a Grécia, a Grécia é a Macedônia", "Tirem as mãos da Macedônia" e "A Grécia unida jamais será vencida", os manifestantes se pronunciaram contra qualquer solução da disputa com o governo de Skopje que inclua o termo "Macedônia", nome que consideram exclusivo da região do norte da Grécia, cuja capital é Salonica.

Desde que a Antiga República Iugoslava da Macedônia proclamou sua independência em 1991, a Grécia rejeita que use seu nome constitucional, República da Macedônia, com o argumento que esse qualificativo faz parte da herança cultural grega e por temor que o país vizinho possa apresentar reivindicações territoriais na sua setentrional região homônima.

O orador principal da manifestação, que aconteceu na praça Syntagma, em frente ao parlamento, foi o compositor Mikis Theodorakis, de 92 anos, que durante décadas foi um símbolo da esquerda grega e cuja participação nesta concentração causou decepção neste setor da sociedade.

Sua casa foi ontem à noite alvo de um ataque com pichações e bolsas de pintura, em um ato que ele atribuiu a "fascistas, racistas, anarquistas, terroristas e pistoleiros" e seguidores do governo esquerdista.

"Sou um patriota, um internacionalista e desprezo e luto contra o fascismo, na sua forma mais enganosa e perigosa, que é a da esquerda", disse Theodorakis perante a multidão.

"Com o uso do termo 'Macedônia', Skopje quer estender suas fronteiras em detrimento da Grécia. Se fazemos concessões, é como se abríssemos nossa fronteira aos que nos ameaçam", opinou.

Na manifestação estavam também presentes o líder do partido neonazista Aurora Dourada, Nikolaos Mijaloliakos, acompanhado por todo seu grupo parlamentar; o ex-primeiro-ministro conservador Andonis Samaras; o vice-presidente da principal força de oposição, Adonis Yeoryiadis, bem como dezenas de bispos e prefeitos.

Os manifestantes chegaram a Atenas de todas partes da Grécia, com ônibus especialmente fretados pelos bispos locais e os prefeitos, com seus carros, ou com os transportes interurbanos.

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