Estado capacita profissionais dos municípios para reduzir demanda na capital e ampliar o serviço. Mesmo em casos de surto psicótico a orientação é procurar a atenção básica e evitar a internação.

O atendimento a pessoas que necessitam de acompanhamento psiquiátrico no Amapá começa a ser descentralizado. Profissionais dos municípios estão sendo capacitados para fazerem o acolhimento inicial, com a manipulação da primeira medicação e o agendamento de consulta. A rede estadual de Saúde conta apenas com 9 psiquiatras em atuação e as doenças apresentam um crescimento constante, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Essa carência de profissionais e a dificuldade de atendimento a quem mora no interior, fizeram com que o estado pensasse numa forma de ampliar o serviço, a partir das unidades básicas de saúde. Essa também é a forma de reduzir a demanda recebida pelo estado, segundo a Sesa.

A prioridade é cuidar de crianças e adolescentes, mas o objetivo é garantir com que os profissionais possam acolher pessoas de todas as idades.

?Internação é a última alternativa. O objetivo é que o paciente volte o mais rápido possível para o seu lar e seja acompanhado pelos profissionais. Nessa capacitação, feita pelo doutor Carlos Estevão, enfermeiros, técnicos, médicos, equipe multidisciplinar das unidades mistas e dos hospitais são orientados a fazerem os primeiros atendimentos?, explicou a secretária-adjunta de Atenção à Saúde, Hely Costa.

A gestora ressalta que a porta de entrada para quem sofre algum tipo de transtorno mental é a rede da atenção básica, depois o Hospital de Emergência. Em até 72 horas após o atendimento, o paciente pode ser encaminhado ao Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), que tem um centro psiquiátrico.

?O setor psiquiátrico e os centros psicossociais [em Macapá] atendem a maior demanda de pacientes. Temos uma grande carência de psiquiatras na Região Norte, mas conseguimos contratar mais 3 para a rede. Isso se dá porque, principalmente nos interiores, na ausência do psiquiatra, qualquer médico pode fazer a estabilização do paciente?, disse Hely.

Mesmo em casos de surto do paciente, a secretária diz que a internação é a última saída.

?Volto a dizer, a porta de entrada do atendimento psiquiátrico é a UBS, a atenção básica de saúde, que deve se estruturar para isso. Quando a unidade não está preparada para receber esse público, acaba que um caso que deveria ter sido sanado no município, migra para a capital, criando uma demanda maior que a necessária, de um paciente que deve ser tratado perto para a família?, enfatizou.

Na rede estadual de Macapá, além do Hcal, o atendimento também é realizado no Centro de Atenção Psicossocial Casa da Gentileza (CAPS) e no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). A Sesa não informou quantos pacientes estão internados ou recebem algum tipo de atendimento no estado.

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