Aprender a ouvir e perceber pessoas alheias ao convívio social pode ajudar a evitar quadros de depressão, que podem levar ao suicídio. Amapá registrou 25 mortes e 31 tentativas em 2017.

A solidão, traumas, depressão, tudo combinado com a falta de ajuda. São muitos os fatores que os especialistas apontam que podem levar ao suicídio, que no ano passado resultou em 25 mortes no Amapá, além de 31 registros de tentativa. O ato das pessoas em tirar a própria vida cresceu quase 20% na última década de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados se tornam ainda mais delicados principalmente pela resistência que ainda tem dentro das famílias, onde a ausência de diálogo e relações verticais acobertam sentimentos que podem levar alguém a buscar o suicídio como alternativa de alívio.

Ultimamente, as redes sociais tem tornado cada vez mais invisíveis as percepções sobre alguém que precisa de ajuda. A aparência de serenidade e felicidade nos diversos pontos de interação na internet afastam as pessoas do convívio social e as incluem num mundo, muitas vezes, fantasioso.

"A própria necessidade de buscar as redes sociais para ser visto como uma maneira de ficar online, já é um sinalizador de uma dificuldade emocional. Ter essa necessidade de ser visto, de ser notado, de transparecer uma situação ideal", explicou o sociólogo Washington Brandão.

Detalhando os registros, a maior incidência dos suicídios aconteceu em Macapá, com 60% dos casos. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontou ainda que as tentativas ficaram equivalentes por faixa etária, sendo 50% na faixa etária entre 10 e 24 anos e os outros 50% nos indivíduos acima dos 25 anos.

Reação em cadeia

O sociólogo acrescenta que o suicídio ou a tentativa é "resultado de um percurso histórico", onde a pessoa vai acumulando situações, desejos ou frustrações, de forma silenciosa e sem acompanhamento.

"Os modos de vida das pessoas, as exigências, as competitividades acabam criando condições propícias para o desenvolvimento de uma fragilidade, de auto conhecimento deficitário, de autopercepção inadequada, um contexto que a competição é forte e se eu não tiver habilidades pra lidar com isso, isso pode criar uma vulnerabilidade para autodestruição", completa Brandão.

Perceber e ajudar

Falar de suicídio, na maioria das vezes, é falar de depressão. Falar de depressão, no entanto, não necessariamente é falar de suicídio. O ideal, segundo especialistas, é se dispor a se aproximar de alguém de demonstra estar sofrendo ou que apresenta mudanças acentuadas e bruscas do comportamento.

"A pessoa com depressão, ela tem que ter diagnóstico, com profissionais, pedir ajuda para pessoas conhecidas. A ideia é que você tenha condições de produzir, de agir, isso são indicadores de saúde mental", detalha o sociólogo.

De acordo com os médicos, o ideal é que a pessoa seja encaminhada a um psiquiatra e seja medicada. E, no mundo ideal, que tenha um acompanhamento de um terapeuta e o apoio da família.

Outro fator importante é que os medicamentos levam um certo tempo para surtir efeito. Por isso, os primeiros 30 dias após uma tentativa de suicídio e o início do tratamento são os que precisam de mais atenção.

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