Luís Roberto Barroso também destacou que a "corrupção cria ambiente de insegurança e desconfiança" no país.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que o ?nível de consciência da sociedade civil está mudando?, durante palestra na Câmara Municipal de Fortaleza nesta segunda-feira (23), onde esteve também para a reinauguração da Biblioteca José de Alencar no Legislativo.

Barroso reconheceu a importância da mobilização social e disse que esta é a "grande revolução brasileira". "Revolução pacífica e profunda de mudança de consciência, de demanda por integridade, aos poucos, as instituições vão ser capazes de atender à essas demandas. É preciso ter paciência e perseverança."

Sobre os caminhos para enfrentar a corrupção do país, o ministro foi otimista. A ?percepção da corrupção aumentou muito?.

"Este nível de consciência da sociedade civil vai modificar, e já está modificando, aos poucos, as instituições de uma maneira geral."

No entanto, Barroso destacou que ?o combate à corrupção não pode ser a agenda única de um país?, embora reconheça que é preciso minimizar o problema. ?Não é um projeto de país acabar com a corrupção, mas nós precisamos minimizá-la para termos um projeto de país.?

'Pacto oligárquico'

Para Barroso, o diagnóstico correto sobre a corrupção no Brasil é de que ?não foi um produto de falhas individuais ou pequenas fraquezas humanas. Foi uma corrupção sistêmica. Foi um modo de fazer política e um modo de fazer negócios que naturalizou as coisas erradas a ponto de as pessoas já nem se darem conta mais de quão erradas eram, como eram feitas?, analisou.

O ministro do STF considera o cenário fruto de ?um pacto oligárquico de saque ao estado brasileiro, celebrado por parte da classe política, parte da classe empresarial e parte da burocracia estatal?. Mas diz enxergar saída.

?Viver no Brasil é empurrar uma locomotiva, mas é o papel que nos cabe, é o papel da nossa geração, eu acho."

?Nós derrotamos a ditadura, derrotamos a hiperinflação, acho que estamos vencendo a pobreza extrema e acho que o último, a última missão da nossa geração é reduzir, expressivamente, a corrupção a padrões residuais que existem em toda parte do mundo?, completa.

Durante o encontro, Luís Roberto Barroso lançou dois livros de sua autoria, sendo ?Um outro país: transformações no direito, na ética e na agenda do Brasil? e ?A Judicialização da Vida e o Papel do Supremo Tribunal Federal?.


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