Família de adolescente questiona atendimento da Polícia Militar. Comandante explicou procedimentos adotados no caso, que ocorreu no domingo (8).

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a agressão a uma adolescente, de 16 anos, no distrito de Correia de Almeida, em Barbacena. O caso ocorreu no domingo (8) durante e após uma festa familiar.

Em entrevista ao MGTV, a mãe da vítima e uma testemunha questionaram o atendimento da Polícia Militar (PM). A corporação afirmou que os procedimentos adequados foram adotados no registro do caso.

Agressões durante e depois da festa, diz vítima

Segundo relato dos parentes, o caso ocorreu durante uma festa de família no último domingo (8). A confusão começou dentro de uma casa e seguiu na rua. A vítima, que pediu para não ser identificada, indicou que dois jovens, de 18 e 19 anos, e o pai de um deles são os agressores. Um dos rapazes era ex-namorado de uma amiga da adolescente e o motivo seria ciúmes.

"O ex da minha amiga começou a fazer tumulto. Eu cheguei perto e falei para ele parar, que era uma festa de família, despedida, sem briga. Aí ele começou a me chutar. Eu fui pra revidar, porque estava doendo muito os chutes dele, aí nisso eu caí. O amigo dele veio de chute em mim, muito chute, muita pancada na boca do estômago"

De acordo com a adolescente, a mãe e o padrasto dela chegaram afirmando que chamariam a PM e os rapazes apontados como autores da agressão e as namoradas foram embora. No entanto, as agressões continuaram quando ela e o namorado deixavam a festa de moto.

"Saíram ele e o amigo de trás de um carro, entraram na frente da moto e nós caímos. Ele pegou o capacete que caiu da minha cabeça e começou a dar muita pancada na minha cara. Tanto que deixou hematomas. O amigo dele também [veio] com uma pedra. Minha amiga veio ajudar a tirar eles de cima de mim que eles estavam me machucando muito", contou.

Segundo a vítima, com a chegada da PM, os rapazes fugiram do local. Enquanto os policiais faziam o rastreamento, o pai de um dos agressores, que mora na região, atacou a adolescente e o namorado dela com uma barra de ferro.

"O pai deles saiu com uma barra de ferro acertando meu ombro, o meu joelho, a minha cara. Meu namorado foi tirar o pai dele de cima de mim e ele o agrediu. Na hora que a policia 'apontou' de novo o pai dele foi em casa e escondeu a barra de ferro", disse a garota.

A ex-namorada de um dos suspeitos, que também foi agredida na confusão, e pediu para não ser identificada, espera que os envolvidos sejam punidos e cobrou melhor atendimento da PM.

"Eu quero justiça, ainda mais por causa dela. Porque ele fez com ela não pode ficar assim não. A gente esperava um apoio maior da polícia daqui, sabe? Porque se a gente não pode proteger ela, quem que vai? A policia. Mas quem que vai proteger, se eles não protegeram?", questionou.

A adolescente teve vários ferimentos no rosto, chegou a perder um dente e ainda tem hematomas pelo corpo. Ela foi levada pelos familiares para o Hospital Regional, onde foi medicada e foi feito o exame de corpo de delito. Ela está traumatizada e parou de frequentar a escola.

A mãe dela quer justiça e reclamou que não teve apoio da Polícia Militar (PM) no dia da agressão. Ao MGTV, ela contou que um dos policiais estava "muito agressivo, xingando e com falta de educação".

"Não respondia nada do que eu perguntava. Não olhava nem na minha cara. Aí o outro [policial] me chamou, me pediu pra manter calma. Aí ele disse 'a senhora vai levar a sua filha no médico para ela ser atendida. Na segunda-feira, a senhora procura para fazer o corpo de delito para ver o que pode estar resolvendo", contou a mãe da adolescente.

Polícia Militar fala sobre o caso

De acordo com o Registro de Evento de Defesa Social (Reds), os policiais que atenderam à ocorrência relataram que viram a confusão na Praça Deputado Crispim Jaques Bias Fortes e encontraram a adolescente e o namorado no local

"A PM não foi acionada, estava fazendo patrulhamento nas imediações da praça onde houve a contenda e ouviu gritaria se dirigiu ao local e fez o contato com a vítima. Ela estava com lesão no rosto e repassou as informações dos autores. Os policiais do destacamento de Correia de Almeida iniciaram rastreamento, contando com apoio de uma guarnição extra que se dirigiu de Barbacena para fazer a diligência, porém nenhum dos autores foi localizado", explicou o comandante da 60ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Flávio Tafúri.

Ele garantiu que a adolescente e a família foram amparadas. "Ao final, foi oferecida à vítima para tentar conduzi-la para o hospital, porque ela estava com uma lesão no rosto. Porém ela não aceitou. Preferiu ter essa assistência pelos próprios familiares", afirmou capitão Tafúri.

Caso na Polícia Civil

O caso foi encaminhado para a Polícia Civil, que não deu detalhes sobre o andamento da investigação. E também não respondeu ao MGTV se os suspeitos foram intimados e quando serão ouvidos.

A Polícia Civil explicou que a delegacia funciona em regime de plantão no fim de semana. Em alguns casos, as vítimas são encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

Polícia Civil investiga caso de agressão a adolescente em distrito de Barbacena