Além do impacto na arrecadação, o prefeito Antônio Almas também destacou os reflexos na Saúde, que teve consultas e exames cancelados.

A Prefeitura de Juiz de Fora teve um prejuízo calculado em mais de R$ 7 milhões por conta da paralisação dos caminhoneiros realizada no final do mês de maio em diversos pontos do Brasil. Os impactos nos cofres públicos foram apresentados nesta segunda-feira (4) em entrevista coletiva convocada pelo prefeito Antônio Almas (PSDB).

?A paralisação causou impactos em todas as secretarias. Quanto à arrecadação, os prejuízos são calculados em mais de R$ 7 milhões relativos a impostos. Os reflexos ainda poderão ser sentidos e dificultarem no pagamento tanto de servidores ,quanto de fornecedores?, explicou.

Segundo informações da Secretaria de Fazenda, a cidade deixou de arrecadar mais de R$ 2,2 mi referente ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) no mês de maio. A redução foi calculada em mais de 20% em comparação com o mês anterior e à média mensal de arrecadação do município.

O secretário de Fazenda, Fúlvio Albertoni, apresentou uma estimativa da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) que aponta que até o final do ano a cidade deve deixar de receber cerca de R$ 5 milhões referente ao Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é repassado pelo Governo de Minas Gerais.

?Essas perdas representam um prejuízo considerável para o município, tanto o ICMS, quanto o ISSQN que, por sinal, é um prejuízo que não tem como ser reposto, pois é referente a serviços como pedágio, por exemplo. Ainda têm os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que devem ser reduzidos, mas ainda não sabemos o quanto?, afirmou o secretário.

De acordo com o prefeito, o outro setor que sentiu de forma maior os impactos da paralisação foi o da Saúde, no qual mais de nove mil pessoas deixaram de realizar coleta de sangue para exames entre os dias 24 e 30 de maio. Além disso, no mesmo período foram 1.880 consultas canceladas, procedimentos que estão sendo reagendados.

A secretária de Saúde, Elizabeth Jucá, detalhou que além das consultas e exames cancelados, os impactos atingiram também as cirurgias, a vacinação e o fornecimento de medicamentos e fraldas geriátricas na cidade.

?A questão dos medicamentos deve ser regularizada já nos próximos dias. As fraldas, no entanto, vão levar um tempo maior, ainda não temos uma perspectiva de prazo, já que a empresa fornecedora ainda está sofrendo com a falta de insumos?, detalhou a secretária.

Jucá lembrou, ainda, da Medida Provisória (MP) 839, publicada na última quinta-feira (31) pelo presidente Michel Temer (MDB), que abre crédito extraordinário de R$ 9,5 bilhões para subsidiar o combustível. Segundo ela, a MP prevê a redução de repasses de várias áreas, entre elas a Saúde, para viabilizar o desconto de R$ 0,46 por litro do diesel.

Além das secretarias de Fazenda e Saúde, o prefeito apresentou, ainda, as medidas tomadas nas áreas de Transporte e Trânsito (Settra), Educação, Obras, Departamento de Limpeza Urbana (Demlurb) e Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur), que tiveram impactos menores e, segundo ele, estarão com o funcionamento totalmente normalizado ainda esta semana.

Comitê da crise

Antônio Almas destacou a importância da criação do comitê de gerenciamento da crise, no dia 24 de maio, para que os impactos fossem suavizados nos serviços oferecidos à população. Segundo ele, medidas como o decreto de situação de emergência foram importantes para garantir a todos o abastecimento de combustível. A medida foi revogada no sábado (2).


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