Hidroxicloroquina é distribuído gratuitamente pelo Estado. Sesa prevê que medicação volte a ser ofertada em até 30 dias.

Desde novembro de 2017, pacientes que fazem tratamento de lúpus no Amapá dizem não ter acesso a um medicamento chamado de hidroxicloroquina, que é ofertado gratuitamente pela rede pública de saúde. Eles reclamam que, sem o remédio, a rotina fica difícil e as dores voltam a ser constantes.

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) confirmou que o remédio não está sendo distribuído há 3 meses, e justifica que uma alteração na licitação para aquisição do medicamento provocou o atraso no fornecimento. A previsão do estado é que o hidroxicloroquina volte a ser disponibilizado em até 30 dias.

A lúpus é uma doença autoimune que pode afetar a pele, os rins, o cérebro e outros órgãos, e provoca muitas dores. Para amenizar os sintomas, segundo a Sesa, o tratamento é feito com uma das 12 substâncias farmacêuticas prescritas pelo Ministério da Saúde.

A hidroxicloroquina é uma delas, que podem ser retiradas na Farmácia de Medicamentos Excepcionais (Farmex), que funciona no Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), em Macapá.

Com a falha no fornecimento, a presidente da Associação de Pacientes com Lúpus no Amapá, Francielle Martins, afirma que muitos optam em comprar os remédios por conta própria.

?Este medicamento é essencial para o controle e prevenção da doença, e a falta dele está causando vários transtornos, como crise de sintomas e até internações de pacientes nos hospitais. Uma caixa com 30 pílulas custa cerca de R$ 90, mas não são todos que têm condições de comprar?, lamentou.

Uma mulher que não quis ser identificada informou que a filha, de 17 anos, diagnosticada em 2013 com a doença, não consegue ter acesso à medicação e, para continuar o tratamento, contou com a doação de amigos e familiares.

?Se não fosse a boa vontade deles, ela estaria com a saúde mais complicada. Infelizmente não tem esse remédio na rede pública e prejudica não só a minha filha, mas muitos pacientes, que não têm como comprar?, disse.

De acordo com a associação, são 300 pacientes de lúpus no Amapá. A Sesa afirmou que cadastrados na Farmex para receber esse medicamento são 112. A dona de casa Aldenora Rodrigues, de 40 anos, que precisa do remédio, sente dores constantes, o que atrapalha ela no dia-a-dia.

?Os transtornos são inevitáveis para quem para de tomar remédio, pois sentimos muita dor. Com os remédios, parei de sentir essas dores e melhorei minha qualidade de vida. Agora, não é sempre que a gente tem o dinheiro. Tive outras enfermidades que foram adquiridas pelo lúpus. Então esse remédio é essencial para o tratamento?, reforçou.

A titular da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF), Carla Soeiro, explicou que a licitação para aquisição da medicação foi iniciada, mas teve que ser estendida.

O governo, segundo Carla, seguiu o pedido do Ministério Público Federal (MPF) para desclassificar de processos licitatórios fornecedores que já haviam sido notificadas por problemas constantes na distribuição de medicamentos.

?O processo já estava adiantado, já tinha sido feito a análise técnica, e quando veio a recomendação, a empresa que estava estava no processo já tinha sido notificada e ela foi desclassificada. A CPL teve que chamar o novo classificado. O processo está na última etapa, para homologação, e a previsão é de normalizar isso em até 30 dias?, explicou Carla.

A CAF informou ainda que o medicamento é difícil de aquisição, inclusive em processos de compra ele já foi dado como item fracassado (quando tem um preço ofertado mais elevado que a tabela nacional de preços de medicamentos), e como deserto (cujo item não teve proposta feita por fornecedor).

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