O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, afirmou que Bras?lia tem uma grande responsabilidade na preserva??o da paz e no avan?o das discuss?es em torno da presen?a de dois Estados em Jerusal?m, cidade que pode receber uma embaixada brasileira em 2019 pelas m?os do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Em entrevista ao site DW Brasil, Alzeben revelou já ter solicitado um encontro com o próximo mandatário brasileiro, e admitiu que o governo brasileiro, como "um dos fundadores da ONU" tem "uma responsabilidade enorme para preservar a paz" na região.

"A embaixada [brasileira] e todas as embaixadas devem ficar em Tel Aviv enquanto essa questão da ocupação militar israelense não esteja resolvida. Acredito que em um estágio final a Palestina terá Jerusalém oriental como capital e Israel terá Jerusalém ocidental como capital", declarou o embaixador palestino.

Alzeben destacou o papel histórico do Brasil ao longo das últimas décadas, desde o esforço do brasileiro Oswaldo Aranha, presidente da Assembleia Geral da ONU em 1948 quando da partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel, até o reconhecimento do Estado palestino pelo Brasil desde os anos 1970, com a vinda do líder palestino Yasser Arafat ao país na era Fernando Henrique Cardoso, e a cooperação nos governos do PT.

De acordo com o diplomata palestino, o Brasil deve "não complicar o panorama" ao seguir os passos de Estados Unidos e Guatemala, únicos países a terem transferido suas embaixadas para Jerusalém, ressaltando que Israel viola tratados internacionais ao ocupar território palestino.

"Israel é um país ocupante. Está violando o direito internacional. Existem duas faces de Israel. Uma que é avançada em tecnologia e que é bastante desenvolvida. Outro lado é nefasto. É contrário a tudo que é humano. Não podemos admitir e ninguém deve apoiá-lo. Transferir as embaixadas é apoiar. É incentivar esse lado", afirmou ao DW Brasil.

Deputado federal mais votado da história brasileira e filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro declarou recentemente, em uma viagem aos EUA, que a questão sobre a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém já estaria decidida, faltando apenas a definição da data em que isso vai ocorrer.

Já Jair Bolsonaro indicou querer levar a embaixada para Jerusalém, mas à época da crise com o cancelamento de uma visita de diplomatas e empresários ao Egito (que acabou cancelada pelo governo egípcio após as declarações sobre a embaixada) o presidente eleito recuou, dando a entender que a questão ainda não estaria fechada.

Enquanto aguarda ser recebido pelo novo governo brasileiro, Alzeben defendeu o caráter sagrado de Jerusalém para várias religiões, o que justifica uma saída negociada para o conflito.

"Jesus Cristo é palestino. A Virgem Maria é palestina. A Palestina pertence aos palestinos. Temos judeus. Temos cristãos. Temos muçulmanos. E esta é a riqueza da Palestina, que não abrimos mão. Eu não admito que seja puramente judaica, puramente cristã, puramente muçulmana. E assim será para o futuro. Esse conflito vai acabar", concluiu.


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