Produtor diz que a iniciativa pode fazer a pecuária brasileira evoluir em três anos o que levaria uma década

O Projeto Genômica, desenvolvido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba (MG), avança rapidamente. De acordo com o geneticista e superintende adjunto de melhoramento genético da entidade, Henrique Ventura, o intuito é incluir as informações de marcadores moleculares na avaliação genética das raças zebuínas e, com issso, aumentar a segurança para que o criador pratique a seleção, principalmente para animais jovens, já que os pecuaristas trabalham com competições genéticas. “Quanto maior acurácia dessas produções, maior a chance de acerto do criador ao escolher aqueles animais. Com o Projeto Genômica, o criador vai ter essa acurácia maior nos animais mais jovens, encurtando o intervalo entre gerações e aumentando o progresso genético ao longo dos anos, o que traz maior evolução dos rebanhos zebuínos”, diz.

O produtor rural Luciano Borges classifica a iniciativa da ABCZ como fantástica para a pecuária brasileira. Para ele, em termos de genética, quando o assunto é genômica, o Brasil está pelo menos uma década atrasado. “O que a gente gastaria 10 anos para evoluir, vamos evoluir em 2 ou 3 anos”, conta.

 

Segundo Ventura, até o momento se praticava a seleção baseada em dados de genealogia e dados de desempenho, que são muito seguros e confiáveis, mas leva-se tempo até o touro ter uma quantidade razoável de progênese testada e ter uma avaliação genética com bastante acurácia, por exemplo. “Com a genômica, a gente consegue acelerar esse processo. Permite tomar decisão mais cedo de quais são os animais que merecem ser reprodutores, para que os rebanhos possam evoluir nas características de importância econômica. Traz um ganho muito interessante”, explica.

O projeto envolve muita tecnologia, dentre elas, um banco de dados gigantesco que será usado na inclusão das informações genômicas. 45 rebanhos da região foram genotipados, totalizando 1,2 mil animais participantes das pesquisas. O gerente de TI da ABCZ, Flávio dos Santos, diz que já foram adquiridos equipamentos para ter capacidade de receber os arquivos de todos esses animais. “A ABCZ está preparada para atender a demanda planejada”, confirma.

O projeto vai apresentar os primeiros resultados em agosto de 2018, na Expogenética, em Uberaba (MG), diz Ventura.


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