O clima na Argentina e a disputa comercial entre China e Estados Unidos podem influenciar na cotação da oleaginosa nos próximos meses

A divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do departamento de agricultura norte-americano (USDA) provocou queda de 3% nas cotações da soja na bolsa de chicago na última semana e a disputa comercial entre China e Estados Unidos, junto com a instabilidade climática, devem provocar volatilidade nos preços do grão nos próximos meses.

O relatório foi considerado conservador pelo mercado. Na estimativa americana, a safra de soja na argentina foi reduzida para 47 milhões de toneladas, contra 54 milhões projetadas em fevereiro. Já a bolsa de cereais de Buenos Aires estima 42 milhões de toneladas com possibilidade de novos cortes nos próximos meses. O USDA também revisou para baixo os estoques finais argentinos, deixando a previsão em 32,2 milhões de toneladas.

“Essa quebra na Argentina abre espaço para o fornecimento do grão, pois o país vizinho além de fornecer grandes volumes de derivados de soja também é um grande fornecedor de grãos. Então, com a quebra na produção a argentina, deverá se concentrar no esmagamento e diminuir sua participação na exportação do grão, o que abre espaço para Brasil e até para os Estados Unidos entrarem forte nesse mercado”, disse o analista de mercado a Economicis Aedson Pereira.

Outro ponto do relatório que pegou o mercado de surpresa foi a estimativa de queda das exportações da soja norte-americana. Segundo o departamento os embarques dos Estados Unidos, devem ficar abaixo de 57 milhões de toneladas e, no último levantamento, a previsão ultrapassa 59 milhões de toneladas.

Para os analistas, o que vai definir os preços da soja nas próximas semanas são as exportações dos Estados Unidos. Até agora, os embarques norte-americanos sobre a 2017/2018 totalizaram 48 milhões de toneladas, resultado inferior em comparação com o mesmo período do ano passado, mas ainda assim, é o segundo maior volume da história.

“Estamos observado semanalmente uma retomada gradativa das vendas de soja nos Estados Unidos ao mercado externo, o que já dá um sinal de que o USDA perdeu um pouco do tempo para apontar um cenário mais positivo às exportações norte-americanas”, falou Aedson.

Além da estimativa de redução nas exportações da soja dos Estados Unidos, outro fator pode favorecer os preços no mercado interno: a disputa comercial entre China e Estados Unidos. Para  o diretor comercial da FC Stone, Glauco Monte, se o país asiático taxar as exportações de soja norte-americanas, o produto brasileiro pode ganhar mais espaço com o apetite chinês.

“Basicamente, você poderia deslocar a demanda para o Brasil e teria mais demanda de exportação da soja brasileira. A china procura mais soja aqui e isso traria aumento de prêmio nos portos brasileiros, mas, em contrapartida, com os Estados Unidos exportando menos por causa dessa situação sobraria mais estoque naquele país e isso teria um impacto sobre as cotações de Chicago e, consequentemente,nos preços internacionais”, falou.

O analista orienta ainda que o produtor se prepare para uma safra de oscilação de preços, reflexo da instabilidade climática combinada com as variações na taxa cambial brasileira. “Recomendo ao produtor trabalhar com ferramentas de proteção que possam dar flexibilidade, segurança maior a ele na comercialização, porque podemos ter grandes altas e baixas de preços daqui para frente”, concluiu Glauco.


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