Ao menos 20% da área destinada ao cereal ainda não foi semeada no estado, por causa de atraso na soja e de chuvas constantes desde o início de fevereiro

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) pediu ao Ministério da Agricultura que a janela de plantio de milho seja estendida no estado. A justificativa é a de que ao menos 20% da área destinada ao cereal ainda não foi semeada, em razão do atraso no plantio de soja e da queda constante de chuvas no leste goiano desde o início de fevereiro.
 
As precipitações fizeram falta na região  em outubro do ano passado, retardando a semeadura da leguminosa. Agora, a água em excesso prejudica a cultura do milho. De acordo com o engenheiro agrônomo Bruno Ferreira Silva, os produtores não puderam dissecar e colher a soja a tempo de plantar a segunda safra de milho na janela correta. Ele conta que eles têm até 15 de março para semear o que for possível.
 
 

Dados da Aprosoja-GO indicam que pelo menos 40% da soja do estado ainda não foi colhida, e 20% da área de milho não foi plantada. A estimativa inicial indicava que seriam cultivados 1,2 milhão de hectares do cereal na segunda safra. No município de Cristalina, entretanto, o clima desanimou os agricultores. Muitos deles estão optando por não fazer o plantio do milho fora da janela, pois não querem correr o risco de não ter chuva para o enchimento do grão no final do ciclo. Por causa disso, neste ano, a semeadura do milho foi reduzida em até 40%.     
O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Alécio Maróstica, o estado vai ter milho em quantidade menor do que em anos anteriores. Por conta do clima, lembra ele, a janela de plantio ideal, que é até 15 de fevereiro, vem sendo “espichada” até agora, trazendo alto risco para o produtor.
 
Depois de seis dias de chuva intensa, Clodemir Paholski decidiu parar de semear os 200 hectares destinados ao milho. Ele investiu R$ 2.000 por hectare, e só plantou em metade da área. “Prefiro ter um prejuízo financeiro agora do que ter um prejuízo maior ainda na frente. Ninguém sabe se vai chover em abril e maior, aí meu prejuízo por ser muito maior”, afirma.
 
Para o diretor da Faeg, mesmo se a janela para o plantio de milho for ampliada, o produtor terá que assumir alguns riscos. “Quero saber se a Aprosoja também pediu para São Pedro também mandar chuva no mês de abril e maio, se eles têm certeza que isso vai acontecer, porque, se não chover, ampliar a janela não vai adiantar nada”, diz Alécio Maróstica. Segundo ele, ninguém quer assegurar um milho de alto risco. “Nem Banco do Brasil, nem outras seguradoras. Então risco acaba sendo realmente do produtor que resolver plantar”.


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