Alimentos possuem valor agregado no mercado. O mel, por exemplo, chega a custar 15% mais do que o convencional

O mercado de produtos orgânicos deve crescer entre 15% e 20% em 2018, estima o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis). Problemas de logística e baixos investimentos são grandes barreiras enfrentadas pelo setor, que movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões, em 2017.

Cobi Carvalho, diretor da instituição, explica que a atividade requer um grande trabalho no campo. “Você tem que capacitar os produtores e, principalmente, profissionais que vão acompanhá-los. A escala gera uma logística muito cara quando é muito baixa. Não pode misturar o orgânico e o convencional para fazer uma entrega”, exemplifica.

Apesar das dificuldades, Carvalho acredita que esse mercado deve seguir crescendo nos próximos anos. “O orgânico é uma locomotiva muito forte, que vem carregando um trem pesado, uma carga de produtos saudáveis. Se em uma época foi um pequeno vagão de primeira classe, hoje já não é mais. Ainda tem esse vagão de primeira classe , mas já está começando a preencher outros”.

A MN Própolis, empresa que entrou no segmento há 20 anos, produz cerca de 1,5 tonelada de mel orgânico por mês. O trabalho é minucioso, e o produto, considerado fonte rica de nutrientes e pureza. O representante comercial da companhia, Emerson Ikegaya, explica que o produto precisa ser retirado de abelhas de mata nativa. “Tem que ter um raio de cinco quilômetros longe de construções e agrotóxicos”, esclarece.

Cinco anos atrás, o preço do mel orgânico era 50% maior do que o tradicional. Hoje, essa diferença é de apenas 15% — enquanto o quilo do mel orgânico custa R$ 60, em média, a mesma quantidade do produto convencional é vendido a R$ 45.

Segundo Ikegaya, a redução do custo de produção popularizou o alimento. “A procura pelo orgânico cresceu tanto que os produtores estão buscando áreas maiores”, diz.

Um dos pré-requisitos para a comercialização desse tipo de produto é a certificação. Uma empresa avalia se a propriedade atende os padrões definidos pela legislação que regulamenta a atividade. “A lei diz que você tem que passar por um processo de auditoria in loco na área de produção e processamento, para que essas informações sejam verificadas por um organismo de terceira parte”, esclarece o gerente geral da Groupe Ecocert, Alexandre de Oliveira.


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