Máquina permite que consumidores criem sua própria bebida combinando centenas de ingredientes, e envia estatísticas para servidor.

A possibilidade de traçar estratégias de negócios a partir de dados coletados de uma máquina de refrigerante foi o tema da palestra com executivos da Coca-Cola na segunda-feira (12) no South by Southwest (SXSX), festival de inovação que acontece em Austin, nos Estados Unidos.

Ao lado de representantes da empresa brasileira de tecnologia CI&T, eles falaram sobre a máquina que permite ao consumidor montar sua própria bebida, com dezenas de sabores possíveis. A ferramenta envia os dados sobre a preferência dos consumidores para a empresa, que desenvolve estratégias a partir dessas informações.

As máquinas de Coca-Cola "Freestyle" foram apresentadas ao mundo em 2009, mas só ganharam o mercado em 2014. Por uma tela sensível ao toque ou por um aplicativo, o consumidor pode fazer uma combinação entre 165 sabores e produtos da empresa, que vão desde a Coca-Cola tradicional até Powerade, água Dasani, e refrigerantes menos comuns, como Mello Yello. Há também sabores como cereja, baunilha e uva. Cerca de 50% das opções são de baixo ou nenhum teor de calorias.

No entanto, mais do que servir para mostrar ao consumidor as possibilidades de combinações de ingredientes e apresentar marcas, a máquina tem uma função mais estratégica: obter informações sobre preferências e características dos consumidores.

A partir dos dados coletados com a máquina Freestyle, a Coca-Cola criou novos sabores para suas bebidas tradicionais, como o Sprite Cherry e o Sprite Cherry Zero.

"A descoberta do Sprite Cherry foi um acidente. Por exemplo, há partes do mundo que valorizam as bebidas claras e não gostam das bebidas escuras, com a cola. Então, foi uma coisa que ficamos sabendo a partir dos dados da máquina. Havia muita gente que tinha uma preferência por Cherry Sprite, e só pudemos descobrir com a máquina?, contou Thomas Stubbs, vice-presidente de engenharia da Coca-Cola, no SXSW.

'Montanha de dados úteis?

Tissiana Nunes Costa, diretora de negócios da CI&T, explica que ?a máquina sincroniza informações em um servidor todos os dias?.

?Informação é valor. E uma informação direta do consumidor, na ponta final, tem um valor ainda maior. A capacidade de olhar para essa informação e responder a um problema de negócio e identificar oportunidades de negócios pode ser a ferramenta que vira a mesa do jogo?, diz Costa.

Durante a palestra, Michael Connor, diretor de engenharia e inovação da Coca-Cola, enfatizou a necessidade de obter informações de formas inteligentes. ?Nós percebemos que a tecnologia não resolve os problemas, é apenas um caminho para ajudar a resolver o problema, você tem que ter a informação.?

"Temos essa máquina há dez anos e foi muito importante para o negócio da Coca-Cola?, complementou Stubbs.

?Vamos continuar a fazer isso e, com a máquina, nós podemos continuar a cortar parte do custo desnecessário. As máquinas ficam em lugares que têm um perfil demográfico único. Podem ficar num shopping, num bairro? São dados que são muito úteis para o desenvolvimento da máquina. É uma montanha de dados úteis?, afirma o executivo.

Sem previsão no Brasil

Não há previsão de trazer uma dessas ao Brasil até o momento. As Freestyle já estão em grandes cadeias americanas, como Burger King e Wendy's, além de também estarem disponíveis para o público em países da Europa e África. Na América do Sul, apenas o Chile tem máquinas Coca-Cola Freestyle.

No SXSW, também não foi fácil encontrar uma máquina.A reportagem conseguiu ver uma em um hotel, mas ela estava disponível apenas para os funcionários.


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