Resultado mostra a fraca demanda de empresas para investimentos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) manteve ritmo fraco de concessões de crédito em março, mostrando a fraca demanda de empresas para investimentos, com a economia do país saindo lentamente da maior recessão da história.

De janeiro a março, os desembolsos de recursos do banco de fomento somaram R$ 11,15 bilhões, uma queda de 26% ante mesma etapa de 2017.

O movimento indica que a atividade no banco pode estar caminhando para o quinto ano seguido de declínio. Em 2017, o BNDES havia emprestado R$ 70,75 bilhões, queda anual de 20% e o menor nível em uma década.

Após fraco desempenho fraco nos dois primeiros meses deste ano, o então presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, reduziu a estimativa de desembolsos em 2018 de R$ 90 bilhões para R$ 80 bilhões, número ainda superior ao do ano passado.

No entanto, indicadores antecedentes do próprio banco indicam que dificilmente a dinâmica atual deve ser revertida nos próximos meses. O volume financeiro de consultas, primeira etapa do processo de tomada de crédito no BNDES, foi 36% menor no primeiro trimestre. Já os enquadramentos, fase posterior, recuaram 37%, também na comparação anual.

Além da economia do país se recuperar lentamente, vários setores ainda trabalham com capacidade ociosa, enquanto empresas lutam para reduzir dívidas. O segmento industrial, por exemplo, foi o que teve a maior queda no volume de recursos tomados do BNDES no trimestre, de 44%.

Adicionalmente, investidores têm preferido cautela antes de tomar novos empréstimos devido ao cenário eleitoral e suas possíveis consequências para a política econômica do país nos próximos anos.

O banco também passou em 2018 a ter como referência para os desembolsos a Taxa de Longo Prazo (TLP), mais próxima de parâmetros do mercado, no lugar da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), mais subsidiada pelo governo.

Por fim, o BNDES se comprometeu a devolver ao governo federal R$ 130 bilhões, parte dos recursos que recebeu do Tesouro Nacional nos últimos anos. Desse montante, R$ 30 bilhões já foram devolvidos.


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