Estatal tem grande influência sobre a economia do país em geral, e é uma das principais fornecedoras de gás do continente.

"Sem exageros, a Gazprom é quem dá o tom da economia". A frase é do presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre o peso da Gazprom sobre a economia do país. Ela foi dita em fevereiro, cerca de 4 meses antes da Copa, quando a empresa completou 25 anos.

A marca da Gazprom ganhou notoriedade mundial nas últimas semanas durante os jogos da Copa. Como patrocinadora oficial, a empresa russa tem seu nome exibido durante os jogos. Mas, enquanto para grande parte dos torcedores brasileiros esse nome pode ser desconhecido, na Rússia e em outros países da Europa a empresa, que tem papel importante no fornecimento de energia na região, é bastante conhecida.

A Gazprom é uma empresa de gás, da qual o governo russo detém 50,2% das ações ? ou seja, o Estado é o controlador da companhia. A empresa tem valor de mercado de US$ 58 bilhões e, ao final de 2017, tinha quase 470 mil empregados.

Enquanto a economia russa busca recuperação, a Gazprom também tenta retomar o crescimento de seus ganhos. Nesse contexto, em 2017 a empresa viu seu faturamento voltar a crescer após pelo menos três anos de queda. A empresa teve receita equivalente a US$ 57 bilhões com a venda de gás natural ? um aumento de quase 16% na comparação com o ano anterior.

Receita da Gazprom
Ganhos da empresa com a venda de gás natural
Fonte: Gazprom

Como o próprio presidente Putin reconheceu, a força da empresa tem relação direta com o desempenho da economia russa como um todo. O movimento de retomada do crescimento das receitas da Gazprom aconteceu no mesmo ano em que o Produto Interno Bruto da Rússia (PIB) voltou para o terreno positivo após dois anos de recessão. Em 2017, o crescimento econômico foi de 1,5%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

PIB da Rússia
Variação em %
Fonte: FMI

"Durante muitos anos, nos anos 90 e no início dos 2000, quando a economia se encontrava em sérias dificuldades, esta se sustentava exatamente na Gazprom", afirmou Putin em seu comunicado em fevereiro.

Com sede na Rússia, a empresa está presente em 34 países. O presidente da Gazprom, Alexey Miller, estima que a Gazprom possui 17% das reservas de gás existentes no mundo. Ele também aponta que a rede de gasodutos da companhia é a maior do planeta, com 170 mil quilômetros.

O peso do fornecimento de gás para outros países

A maior parte do faturamento da empresa vem da venda de gás para outros países. Em 2017, essa receita foi de US$ 38 bilhões, contra US$ 15 bilhões faturados na própria Rússia e US$ 5 bilhões nos países pós-soviéticos.

A Gazprom fornece mais de um terço do gás consumido pelos países da União Europeia ? cenário que se mantém mesmo após a Comissão Europeia ter pedido aos países membros do bloco para reduzir sua dependência da energia russa após a anexação da Criméia da Ucrânia em 2014.

Em 2017, as vendas de gás da Rússia para a Europa cresceram 8%, batendo recorde de quase 194 bilhões de metros cúbicos. Nesse cenário, as receitas de exportações de gás da Gazprom representam uma grande porcentagem da renda do governo russo.

Disputas na Europa

O governo russo foi acusado em várias ocasiões de utilizar o recurso do gás e a Gazprom como instrumento de pressão política. Já a Rússia alega que os países ocidentais bloqueiam novos projetos de gasodutos por motivos políticos e não econômicos.

A situação se agravou desde que Moscou interrompeu o fornecimento para a Ucrânia nos últimos anos em meio a disputas de preço, e depois de a Rússia ter anexado a Crimeia da Ucrânia em 2014, destaca a Reuters.

Além disso, há economistas que criticam a gestão da Gazprom por ser pouco transparente.

Recentemente, a Gazprom já foi acusada pela União Europeia de abusar de sua posição dominante em oito países do leste do continente. O bloco chegou a ameaçar cobrar uma multa de até 10% sobre o faturamento mundial da empresa russa.

No final de maio, a empresa e a UE entraram em um acordo, o que permitiu que a Gazprom se livrasse das possíveis sanções. Em troca, a empresa precisou retirar obstáculos à livre circulação de gás no centro e leste da Europa, noticiou à época a agência France Presse.

Projetos em vista

Em abril, o jornal russo Vêdomosti noticiou que a Gazprom começou a trabalhar em um novo projeto, um complexo de gás e produtos químicos na região de São Petersburgo, no valor de US$ 20 bilhões. Cerca de 60% de gás produzido será exportado para a Europa por um gasoduto, o Nord Stream-2.

Outro projeto já em andamento é a construção do gasoduto Força da Sibéria, que no próximo ano começa o bombeamento de gás com destino à China. Em fevereiro, Alexey Miller disse que já haviam sido construídos 1,5 mil quilômetros, equivalente a dois terços do total.

Já a construção do gasoduto TurkStream, que vai transportar gás para mercado europeu através do Mar Negro e da Turquia, começou em 2017. "Até o final de 2019, nossos consumidores turcos e europeus terão uma nova e confiável fonte de importação de gás da Rússia", disse na ocasião Alexey Miller, presidente do comitê gestor da Gazprom.

Putin apresentou o projeto TurkStream em 2014, depois que planos para construir um gasoduto sob o Mar Negro para a Bulgária fracassaram em meio à pressão da UE durante a crise ucraniana, aponta a Deutsche Welle.

O projeto foi posteriormente suspenso depois que a Turquia derrubou um jato russo nas proximidades da fronteira com a Síria, provocando uma crise diplomática entre os dois países. O plano só foi retomado em outubro de 2017.

Para a Rússia, que já é o maior fornecedor de gás da Turquia, o gasoduto permitirá reduzir a dependência da Ucrânia e do Leste Europeu para o transporte de gás.

No Brasil

O Brasil também está no radar da Gazprom. Em março, a Agência Gazeta Russa noticiou que a empresa estabelecerá nova joint venture com Bolívia que poderá auxiliar no fornecimento de gás natural para países vizinhos. A previsão é que o acordo final seja assinado ainda em 2018.

Os principais focos são o Brasil e a Argentina, segundo informações da agência de notícias Ria Nôvosti. O prazo do acordo com o Brasil dependerá das autoridades brasileiras e do volume de gás que será fornecido pela Bolívia.


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