Moeda encerrou em alta de 0,99% na véspera, cotada a R$ 3,24, em meio à expectativa de juros mais altos nos EUA.

O dólar mudou de rumo e passou a cair nesta terça-feira (6), com os mercados acionários nos Estados Unidos mostrando recuperação após a forte queda na véspera, em meio à perspectiva juros mais altos nos Estados Unidos, o que pode afetar os fluxos de capital no mundo.

Perto das 13h, a moeda dos EUA caía 0,09% ante o real, a R$ 3,244 na venda, depois de subir 0,99% na véspera, a R$ 3,2467. Mais cedo, chegou a passar de R$ 3,27.

No exterior, o dólar tinha um pregão que alternava altas e baixas frente a uma cesta de moedas. As vendas generalizadas nos mercados acionários globais levaram os investidores a correr para o dólar na segunda-feira mas, neste pregão, o dólar chegou a devolver parte desses ganhos.

A alta do dólar pela manhã veio mesmo após o BC brasileiro voltar ao mercado. A autoridade monetária inicia nesta sessão a rolagem dos swaps que vencem em março, o equivalente a US$ 6,154 bilhões, ofertando até 9.500 contratos.

Mantido esse volume diário até o final do mês e vendendo os lotes todos, rolará integralmente os contratos que vencem agora. O estoque total de swap cambial tradicional nas mãos do BC é de US$ 23,796 bilhões.

O que dizem os especialistas

"Hoje o real não desvaloriza tanto em relação ao dólar, porque o Banco Central está atuando, fazendo leilão de swap cambial com o objetivo de segurar essa desvalorização, e até agora está sendo bem sucedido", disse o economista Alexandre Cabral.

Segundo o economista-chefe da gestora Infinity Asset, Jason Vieira, o dólar acompanha o movimento de valorização no exterior. De acordo com ele, o estresse nos mercados diminuiu nesta terça-feira em linha com os juros futuros nos Estados Unidos, que iniciaram o dia "mais comedidos".

Vieira avalia que o dia pode ser de flutação nos mercados por conta da ausência de agenda para indicadores macroeconômicos no exterior e, no Brasil, da espera da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que anuncia na quarta-feira (7) se fará novos cortes na taxa básica de juros.

Como pano de fundo, o mercado seguia de olho os esforços do governo para conseguir apoio político para aprovar a reforma da Previdência neste mês na Câmara dos Deputados.

Expectativa de juros mais altos nos EUA

A expectativa de juros mais altos na maior economia do mundo deu início recentemente ao forte movimento de aversão ao risco global, culminando com as bolsas norte-americanas despencando na véspera. As perdas ganharam força no início da noite passada, quando o mercado cambial brasileiro já estava fechado.

Na segunda-feira, os títulos públicos americanos com vencimento em 10 anos, os chamados Treasuries, tiveram uma alta de juros e atingiram o maior valor desde janeiro de 2014.

O pessimismo no mercado financeiro americano também influenciou as bolsas internacionais e a cotação do dólar frente às demais moedas. A Bovespa fechou em queda de 2,59%, enquanto o dólar subiu 0,99% frente ao real.

Dados mais robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano divulgados na sexta-feira já haviam reforçado a leitura de que o Federal Reserve, banco central do país, poderá ser mais duro na trajetória de aperto monetário diante da inflação ser mais pressionada.

"O mercado esperava que ele subisse os juros em 0,75% nesse ano, mas, com a divulgação de dados mais fortes da atividade econômica, disseminou-se o receio de que ele suba mais", afirma o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira. "A perspectiva de uma elevação mais forte disparou um movimento de corrida dos agentes econômicos para a proteção de suas carteiras de investimentos", completa.


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