Denise Carreira, da Ação Educativa, trabalha com questões ligadas à igualdade de gênero e raça nas escolas; outras duas mulheres brasileiras vão receber apoio.

Denise Carreira, uma das ativistas que será patrocinada pelo Fundo Malala, disse que mais importante do que recurso financeiro, é receber o reconhecimento político sobre a causa. Denise é a coordenadora executiva da Ação Educativa, de São Paulo, uma ONG que tem como um dos pilares a luta pela igualdade de gênero e raça nas escolas.

Além de Denise, que mora em São Paulo, outras duas brasileiras, Sylvia Siqueira Campos, de Pernambuco, e Ana Paula Ferreira de Lima, da Bahia, passarão a integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala, que incentiva ações que promovem a educação de meninas em vários países. A paquistanesa Malala Yousafzai anunciou que vai investir US$ 770 mil no Brasil. Ela visita o país pela primeira vez e vai comemorar seu aniversário de 21 anos, nesta quarta-feira (12), no Rio de Janeiro.

"O recurso é sempre limitado, o importante é o reforço da agenda da igualdade de raça. O Fundo Malala reconhece e credita a causa a uma luta maior e o reconhecimento político é a grande conquista", diz Denise.

Mestre e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), Denise tem 51 anos e há pelo menos 30, atua em causas ligadas à igualdade de gênero e à melhoria da qualidade da educação. Ela própria diz que teve de enfrentar barreiras por ser mulher em várias esferas, mas que as visões "tradicionais do que é ser homem ou mulher precisam ser quebradas." O trabalho da Ação Educativa envolve dois eixos: a formação de professores que fazem trabalhos que abordem a questão de gênero; e a produção de pesquisas que forneçam dados para o embasamento de políticas públicas.

"Não há como garantir a educação sem abordar a igualdade de gênero nas escolas. A nossa ação fortalece a agenda de gênero e raça nas escolas. Mas o desafio é abordar estas questões sem que os grupos ultraconservadores estimulem a perseguição dos professores e seus familiares causando pânico social", afirma Denise.

Encontro com Malala

Denise se encontrou com Malala e contou que a paquistanesa foi gentil e estava interessada em entender quais são os obstáculos do Brasil para oferecer uma educação de qualidade. "Falamos sobre o assassinato de estudantes nas comunidades sobretudo por atuação de milícias, e sobre como estamos vivendo o apronfundamento das desigualdades. Quanto mais desigualdade, mais violência."

A Ação Educativa foi procurada pelo Fundo Malala que já tinha traçado um mapeamento da atuação da ONG. Denise ainda não tem detalhes de como vai funcionar o trabalho com as outras ativistas contempladas pelo Fundo, mas adiantou que as articulações começam em agosto e que uma das frentes de trabalho vai ser a de fortalecer a atuação de coletivos feministas e antirracistas que têm mostrado muita visibilidade.

"É uma grande orgulho ter essa oportunidade porque a Malala representa um símbolo contra a intolerância, a ignorância e o fundamentalismo que cresceu muito no Brasil. É uma grande oportunidade fazer parte dessa rede de ativistas comprometida com a educação das meninas. Não é o reconhecimento de pessoas, e sim, de lutas coletivas da qual fazemos parte."


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