Reportagem publicada no jornal franc?s 'Lib?ration' diz que alunos, professores e funcion?rios das institui??es s?o recrutados para virar delatores contra seus colegas, que s?o vigiados por c?meras e submetidos a censura.

Uma reportagem do jornal "Lib?ration" desta quarta-feira (5) traz um retrato do ensino universit?rio na China, onde c?meras de vigil?ncia, censura acirrada, espionagem, dela??es e puni??es s?o a norma. Essa pol?tica de controle intelectual envenena at? as rela??es internacionais.

"Lib?ration" come?a com um grupo de dez estudantes da Universidade do Povo diante da Apple Store de Pequim. Eles est?o ali em apoio aos estudantes de Congqing, no sul do pa?s, que s?o for?ados a trabalhar gratuitamente para prestadores de servi?o da marca americana. Caso contr?rio, ficam sem diploma. A pol?cia n?o demorou a chegar, pediu documentos e levou dois estudantes no cambur?o.

No dia seguinte, outro grupo de estudantes de Pequim, que se re?ne para estudar as teses de Karl Marx, ? sequestrado por homens em traje civil. ? um paradoxo, diz o jornal da Fran?a, ?que o ideal marxista de luta de classes e de converg?ncia de lutas tenha se tornado uma amea?a para um regime que de comunista s? tem o nome?.

Cartilha dos perigos ocidentais

Nada pode ir contra o partido e o l?der Xi Jingping. A base de toda repress?o vem de um manifesto secreto, destinado ao alto escal?o do partido e revelado em 2013 pelo jornalista Gao Yu, preso desde ent?o. O chamado ?Documento n?mero 9?define os ?sete perigos ocidentais?: os direitos humanos, a democracia constitucional, a liberdade de imprensa, a sociedade civil, os cr?ticos dos erros do Partido, o capitalismo e a independ?ncia judici?ria?.

Alunos, professores e funcion?rios das institui??es s?o recrutados para virar delatores. Um professor conta que seu maior prazer antes eram as trocas espont?neas com os jovens. ?Agora, eu presto aten??o no que falo, pois alguns s?o pagos pelo Partido para espionar?, conta.

As universidades j? receberam ordens de n?o abordar mais esses temas, sob riscos de repres?lias. Os estudantes e pesquisadores que escrevem sobre ?as ideias de Xi Jingping?, s?o publicados pelas melhores revistas. Um professor, que pede anonimato ao "Lib?ration", diz que em sua faculdade ?? preciso ter refer?ncias ao marxismo e ? filosofia de Xi Jinping em cada cap?tulo?. Um pesquisador estrageiro baseado na China fala em ?del?rio?: ?meus colegas chineses come?am a ficar preocupados com sua credibilidade no exterior?.

Estrangeiros se adaptam ? autocensura

Diante desse cen?rio, v?rios pesquisadores estrangeiros adotam a autocensura, seja em Hong Kong, Europa e Estados Unidos. Eles medem as palavras para evitar que tenham o visto chin?s recusado e sejam cortados do seu campo de estudos.

As institui??es estrangeiras se curvam ao poder econ?mico da China, com raras exce??es, como a Universidade Cornell, que cancelou parcerias com a Universidade do Povo depois que estudantes que protestavam em apoio a oper?rios de uma f?brica foram detidos. Alguns universit?rios permanecem presos.

O jornal alerta que, ao ?aniquilar toda possiblidade de express?o, Xi Jinping corre o risco que a insatisfa??o cres?a em sil?ncio?.


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