Bruna da Costa precisava comprovar suas notas no Encceja para fazer a matrícula na UFPB. No entanto, falha no sistema fez com que ela só tivesse acesso aos resultados após o prazo na universidade ter acabado.

A paraibana Bruna Andressa da Costa, de 19 anos, foi aprovada em relações internacionais na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na cota para pessoas com deficiência que tenham estudado em escola pública. Ela teme, no entanto, ter perdido a oportunidade de ingressar no ensino superior por causa de uma falha no site do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

Para fazer a matrícula na instituição de ensino, ela precisava apresentar os documentos exigidos pela UFPB até terça-feira (6), ao meio-dia - dentre eles, um certificado de conclusão do ensino médio. No entanto, por problemas no sistema do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ela não conseguiu emitir a declaração a tempo. Consequentemente, corre o risco de perder a vaga.

Bruna tem distrofia muscular de cintura e tetraparesia - perda parcial das funções motoras dos membros inferiores ou superiores. "Antigamente, eu andava. Hoje em dia, não consigo segurar meu pescoço", afirma.

A jovem não terminou os estudos na idade correta e prestou o Encceja, na parte de matemática, para tentar obter o diploma do ensino médio. Ela conseguiu atingir a nota mínima no exame e foi aprovada, ou seja, poderia emitir o documento e fazer a matrícula na faculdade. O problema é que, por uma falha técnica que atingiu mais de 150 mil candidatos, a jovem só conseguiu descobrir sua nota na prova às 12h desta quarta-feira (7). O prazo na UFPB terminou nesse mesmo horário do dia anterior, 6 de fevereiro, conforme o edital. Os resultados deveriam estar disponíveis desde segunda-feira (5).

"Vou tentar recorrer. Mas não tenho muita esperança", diz Bruna.

O Inep havia declarado que até a meia-noite desta quarta (7) o problema no sistema estaria resolvido e todos os candidados do Encceja do ensino médio poderiam saber se foram aprovados ou não. A falha persistiu pela manhã e algumas pessoas que fizeram o exame só conseguiam visualizar suas notas da redação e de duas das quatro provas (ciências da natureza, ciências humanas, matemática e linguagens).

O G1 entrou em contato com o Inep, mas ainda não obteve resposta.

De acordo com a UFPB, bastaria que o candidato apresentasse seu boletim de notas no Encceja para poder fazer a matrícula, já que a emissão do diploma leva mais tempo. O aluno teria, depois disso, 120 dias para apresentar o documento oficial, emitido pelas secretarias estaduais de educação.

Segundo o edital, "não será realizado sob hipótese nenhuma o cadastramento do candidato fora do prazo e horários estabelecidos pelo cronograma". Bruna irá pessoalmente à faculdade para explicar a situação e tentar fazer a matrícula mesmo após a expiração do prazo.

Cotas para pessoas com deficiência

O curso de relações internacionais da UFPB oferece duas vagas para ex-alunos de escola pública que tenham deficiência e renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo. Bruna foi a única aprovada, com nota 614,16 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


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