Batizada de Integração, a 48ª etapa da operação apura irregularidades nas concessões de rodovias federais no Paraná. Cinco pessoas estão presas preventivamente.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, nesta segunda-feira (2), denúncia contra o ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR), Nelson Leal Junior, e outras 17 pessoas investigadas na 48ª fase da Lava Jato, que apura irregularidades nas concessões de rodovias federais no Paraná.

Leal Júnior e outras quatro pessoas estão presas desde 22 de fevereiro, quando a operação foi deflagrada.

Entre os investigados estão administradores e funcionários da concessionária de pedágios Econorte, que integra o grupo Triunfo, operados financeiros e servidores púbicos. Eles foram denunciados por crimes como organização criminosa, estelionato, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

Segundo o documento apresentado à Justiça, o MPF pede que seja estabelecido o mínimo de R$ 126 milhões para reparação de danos causados, valor que corresponde à lavagem feita pelos denunciados Adir Assad e Tacla Duran, valor que incluiu R$ 31 milhões que, conforme o MPF, foram desviados da Econorte.

De acordo com os procuradores, os administradores da Econorte, denunciados por associação criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato, implantaram um esquema de contratações fraudulentas e desvios dentro da empresa, para fraudar o equilíbrio econômico do contrato de concessão com o Paraná.

Esse esquema, ainda de acordo com a denúncia, gerava dinheiro em espécie para o pagamento de propina a servidores públicos e enriquecimento dos próprios administradores e funcionários da concessionária.

Por meio da fraude, também foi possível obter aditivos contratuais junto ao DER-PR, conforme a denúncia.

Operadores financeiros já investigados na Lava Jato estão entre os acusados, sendo que dois deles, Adir Assad e Marcelo Abud, firmaram acordo de colaboração premiada com o MPF e detalharam a lavagem de R$ 85 milhões para o Grupo Triunfo.

Os procuradores também apontam que os operadores financeiros Rodrigo Tacla Duran e Ivan Carratu lavaram outros R$ 6 milhões para o grupo, por meio da simulação de contratos de serviços jurídicos.

A denúncia ainda relata contratações irregulares da Econorte com empresas ligadas a agentes públicos do Paraná ? incluindo ex-servidores do DER/PR e da Casa Civil estadual ? que, ou não prestavam nenhum serviço, ou superfaturavam os serviços contratados.

O G1 tenta contato com os citados na reportagem.

A 48ª fase

A 48ª fase da Lava Jato, batizada de Integração, foi deflagrada em 22 de fevereiro e teve como alvos principais servidores públicos e empresas investigadas por irregularidades nas concessões de rodovias federais no Paraná.

Além mandados de prisão, a Polícia Federal (PF) cumpriu 55 mandados de busca e apreensão; a Casa Civil, na sede do governo estadual, foi um dos alvos.

Segundo o MPF, a fase da operação tenta mostrar as "reais causas" do usuário pagar preços tão elevados pelos pedágios. De acordo com a investigação, o valor das tarifas foi superfaturado para financiar a corrupção.

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