O reajuste das tarifas do transporte público em São Paulo entrou em vigor no dia 2 de junho de 2013. No Rio de Janeiro, na véspera. As primeiras manifestações registradas pelo G1 ocorreram no dia 3. Eram marchas pequenas. Abaixo, recontamos as jornadas de junho de 2013 por meio das manchetes da época.

  • Repressão na Paulista: o quarto protesto em São Paulo, no dia 13, há exatamente cinco anos, marca a virada das jornadas de junho. Naquela noite, a PM reprime violentamente o movimento com bombas de gás e balas de borracha. O objetivo é evitar que a marcha chegue à Avenida Paulista mais uma vez.
  • Mais de 200 são detidos e há um grande número de feridos, inclusive jornalistas. Segundo a PM, 5 mil pessoas saem às ruas naquele dia.
  • O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, critica a violência e diz que não pretende revogar o aumento. A PM afirma que atuou para "garantir o direito de ir e vir da população". O governo paulista manda investigar possíveis abusos da polícia.
  • O movimento cresceria nos próximos dias.

  • Copa das Confederações: é no clima de efervescência gerado pela repressão do dia 13 que o Brasil recebe a Copa das Confederações. O primeiro jogo ocorre em Brasília no dia 15. Do lado de fora, confrontos. Dentro do estádio, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, são vaiados.
  • Os manifestantes incorporam à pauta críticas aos gastos com a Copa e a exigência de serviços públicos "padrão Fifa".

  • Protestos se massificam: quatro dias após a noite violenta na Paulista, os manifestantes voltam às ruas em São Paulo para o maior protesto até então.
  • Simultaneamente, ruas de outras capitais são ocupadas. Segundo levantamento do G1, eram 250 mil em 12 capitais e pelo menos 16 cidades do interior.
  • Em Brasília, uma das cenas mais emblemáticas daquele mês: um grupo de manifestantes sobe a marquise do Congresso Nacional.

  • Violência pesada e saques: no dia seguinte, a Prefeitura de São Paulo é cercada e atacada por vândalos. A Guarda Civil Metropolitana consegue evitar a invasão do prédio. Um carro de uma emissora de TV é incendiado. Lojas são saqueadas no Centro de São Paulo.
  • Mais de 100 mil pessoas protestam em pelo menos 40 cidades.
  • Quatro capitais reduzem as tarifas: Cuiabá, Porto Alegre, Recife e João Pessoa.

  • Reflexos na política: o mau humor que tomou conta das ruas se faz sentir na pesquisa de avaliação do governo Dilma.
  • A Seleção joga em Fortaleza, e mais uma vez há protestos nos arredores do estádio.

  • A tarifa cai: Pressionados, o prefeito Fernando Haddad e o governador de SP, Geraldo Alckmin, revogam o aumento das tarifas no dia 19.
  • A mesma decisão é tomada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. A tarifa cai também em Aracaju e Belo Horizonte.
  • Quase 140 mil marcham em pelo menos 30 cidades. Rodovias são bloqueadas.

  • Novas reivindicações: no dia 20 ocorrem as maiores manifestações de junho de 2013. Mais de 1,25 milhão de pessoas participam de atos em mais de 100 cidades brasileiras mesmo após a redução das tarifas.
  • Nas vozes e nos cartazes, pedidos por um transporte público mais barato agora dividem espaço a pautas diversas. Multiplicam-se demandas por saúde, educação, segurança, combate à corrupção e um sistema político mais acessível à sociedade.
  • Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, morre atropelado.

  • Dilma reage: a presidente faz um pronuciamento na TV no dia 21, propõe diálogo aos líderes dos protestos e diz que não aceitará "violência e arruaça". Promete trazer médicos estrangeiros para o SUS, recursos do petróleo para a educação e uma "ampla e profunda reforma política".
  • No Rio de Janeiro, manifestantes protestam na frente da casa do governador Sérgio Cabral.
  • SP tem protestos contra a "cura gay" e a PEC 37, uma proposta de emenda à Constituição que tiraria do Ministério Público o poder de conduzir investigações.

Mais Lidos