Candidato do PSDB participou da rodada de entrevistas do 2º turno das eleições. Na sexta será a vez de Márcio França (PSB).

O candidato ao governo do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) foi entrevistado ao vivo no TEM Notícias 1ª Edição desta quarta-feira (24).

Doria teve 6.431.555 de votos no primeiro turno das eleições, o equivalente a 31,77% dos votos válidos. O tucano disputa o cargo com Márcio França (PSB), que ficou em segundo lugar com 4.358.998 de votos, 21,53% dos válidos.

Na pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (23), Doria aparece com 53% da intenção de votos válidos, e França com 47%. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

João Doria, de 60 anos, esteve no estúdio em Sorocaba (SP), onde foi entrevistado pelo apresentador Thiago Ariosi. O empresário, ex-prefeito de São Paulo, tem como vice Rodrigo Garcia (DEM).

Na sexta-feira (26) o entrevistado será o candidato Márcio França (PSB).

TEM Notícias entrevista candidato ao Governo do Estado João Doria

TEM Notícias - A gente começa falando, claro, daqui a pouco das propostas que o senhor tem para o interior de São Paulo, mas não tem como não falar com o senhor do vídeo divulgado ontem nas redes sociais. O senhor disse inclusive que já tomou algumas medidas. De que forma que a divulgação desse vídeo, candidato, pode atrapalhar a sua campanha agora na reta final?

João Doria - Bem, na verdade, não atrapalha, infelizmente até ajuda pela solidariedade das pessoas. Um absurdo, fake news que tomou conta da campanha em São Paulo. Aliás, tomou conta da campanha nacional. A produção de um vídeo editado em que me colocaram dentro desse vídeo utilizando técnicas de edição e espalharam isso nas redes sociais. Tomei providências junto à polícia, de ordem criminal, e também junto à Justiça Eleitoral para identificar o autor disso e penalizá-lo. E ao mesmo tempo as medidas também de ordem digital para evitar que esse vídeo continue circulando pela internet. Agora, é um absurdo que eu, como candidato, sofra um vídeo dessa natureza que atinja a minha família, meus filhos e a mim. Eu refuto isso com toda energia e espero que nas próximas eleições o fake news desapareça da eleição, porque isso é muito nocivo, não atende ao interesse das pessoas, não atende ao interesse da eleição.

TEM Notícias - Vamos falar agora de um tema também muito importante que deveria ser tratado como prioridade por todo mundo. Candidato, o interior de SP sofre bastante com falta de vaga em UTIs, central de regulação de vagas. De que forma, se o senhor for eleito, vai resolver esse problema? Muita gente acaba morrendo na fila esperando vaga. Como resolver isso?

João Doria - Melhorando a qualidade da eficiência do processo de regulação para que as pessoas não fiquem em fila de espera e possam ser atendidas, inclusive de acordo com a sua prioridade. A saúde estabelece claramente as prioridades de acordo com a doença, e a gravidade da doença. Nós em São Paulo conseguimos viabilizar isso de uma forma muito eficiente num prazo de seis meses após a nossa gestão, o início da nossa gestão, com um processo de regulação que utilizou a tecnologia.

TEM Notícias - Mas tem que aumentar leito, a quantidade hoje não é suficiente.

João Doria - Bom, gradualmente você vai aumentando também. Nós temos um novo hospital aqui, que foi inaugurado em Sorocaba, e que atende a mais de 250 leitos, inaugurado até pelo governador Geraldo Alckmin em março do ano passado. Além do que, há o Hospital Regional, que tem mais 250 ou 280 leitos, e que agora também será aperfeiçoado. E gradualmente vamos ampliar a oferta. É preciso também investir na ação preventiva de saúde. O que é a ação preventiva? É você fazer exames antes de você ter a doença. Tanto para as mulheres, crianças, idosos e adultos, porque prevenir custa menos, custa cinco vezes menos que curar. E obviamente evita que as pessoas tenham dor. Portanto, ações preventivas no projeto ?Doutor Saúde? que vamos implantar a partir de janeiro em todo estado de São Paulo.

TEM Notícias - O senhor implantou em São Paulo o ?Corujão da Saúde?. Como vai funcionar no interior, vai ser parceria com hospital particular?

João Doria - Vai. Da mesma maneira que fizemos em São Paulo, e você sabe, foi um sucesso em São Paulo. Por quê? É importante que vocês que estão nos assistindo saibam porquê o ?Corujão da Saúde? e o ?Corujão da Cirurgia? foram bem sucedidos. Porque nós conveniamos hospitais privados, que tem o seu funcionamento 24h por dia, só que após as 19h as salas de exames dos hospitais estão vazias, não tem ninguém. Exceto casos de urgência. Então, conveniamos com tabelas SUS, ou seja, sem custo adicional nenhum para a Prefeitura de São Paulo, e não haverá para o governo do estado de São Paulo. Para a utilização de hospitais privados, que a partir das 19h farão os exames de imagem, como tomografias, ultrassonografias, radiografias, são exames que levam 10 a 15 minutos. Mas 10 a 15 minutos que às vezes as pessoas, no caso de SP, esperavam até dois anos para fazer esse exame. E o mesmo em relação com o ?Corujão da Cirurgia?. É importante falar porque há muita fila para os procedimentos cirúrgicos, tanto os eletivos quanto às cirurgias de média e alta complexidade. Mesmo princípio, utilizando o horário noturno dos hospitais. À noite, os hospitais não usam os seus centros cirúrgicos, mas eles estão lá, prontos e disponíveis para serem utilizados. Os técnicos também e enfermeiros. Nós pagamos um pequeno bônus para os cirurgiões, auxiliares dos cirurgiões, anestesistas, e o resultado: conseguimos fazer mais de 30 mil cirurgias no prazo de oito meses em SP. Vamos usar o mesmo método, a mesma operação, em todo o estado de São Paulo.

TEM Notícias - Candidato, vamos falar agora sobre emprego, que muitas cidades do interior têm sofrido bastante. A gente tem muitos municípios agora vendo a gente, com menos de 20, 10 mil habitantes. É um desafio levar emprego para esses pequenos municípios. Vou citar um exemplo: região de Araçatuba, 34 cidades que compõem a região de Araçatuba. Essas cidades fecharam 400 postos de trabalho. Como levar emprego para esses municípios fortalecendo indústria, comércio, claro, de acordo com cada vocação do Estado?

João Doria - Essa é uma preocupação importante. O Brasil ainda tem 13 milhões de desempregados, São Paulo [Estado] tem cinco milhões de desempregados e subempregados. É obrigação do governo do estado propor políticas públicas que sejam geradoras de empregos. Como fazer isso? Primeiro, atraindo capital privado para indústria, comércio, setor de serviços, sobretudo o turismo, e também o agronegócio. Onde você coloca novos investimentos, sobretudo investimento privado, se traduz naturalmente em geração de empregos. Outro é o programa de financiamento, através do Desenvolve SP, que é o BNDES paulista, para fornecer crédito a juro muito baixo para o setor privado, as médias e grandes empresas, e também para as cooperativas, no caso do agro, para que possam com esse recurso gerarem mais produção, e gerando mais produção, obviamente vão precisar de mais mão-de-obra. E por último, importante também ressaltar o programa de desestatização que eu defendo. Nós vamos ter a desestatização nas rodovias, ferrovias, hidrovias, nos aeroportos, só para começar. Quatro setores muito importantes e aí também, onde você privatiza, coloca o setor privado, imediatamente há contratação de mão-de-obra da mais simples a mais qualificada.

TEM Notícias - Vamos falar de educação. O senhor promete construir 1,2 mil creches no Estado, isso em quatro anos. Creche é obrigação da prefeitura fornecer, como é que o Estado vai influenciar nisso?

João Doria - O Estado vai ajudar. As prefeituras não têm condições, a maioria das prefeituras, não têm condições da construção de creches. Mas elas poderão fazer a operação das creches através das Organizações Sociais que, aliás, é a forma correta. As OSs administram melhor, com mais eficiência, mais probidade, mais transparência e com resultados melhores. Agora, as prefeituras vão ter o apoio do governo do estado. Primeiro, no modelo físico de creche, para uma construção de boa qualidade ao menor custo possível. As prefeituras doam os terrenos, o Estado constrói as creches, e entrega para a prefeitura, e ela faz a administração através de OS.

TEM Notícias - Candidato, o senhor falou agora, a gente citou creche, que é obrigação da prefeitura, já a segurança pública é única e exclusivamente [obrigação] do estado. A gente, aqui no interior, tem sentido nos últimos dias uma onda muito forte de violência. Crimes muito, extremamente violentos, isso tem preocupado muito a população. A gente mostra isso diariamente aqui na TV TEM. Segurança pública, como que o senhor vai dar mais segurança para o nosso interior?

João Doria - É pouco tempo para responder porque essa que, ao lado de saúde e geração de emprego, é a maior preocupação do estado de São Paulo, e sobretudo no interior. Vamos ter, primeiro, a valorização da Polícia Civil e da Polícia Militar melhorando as condições salariais e me permita acrescentar que também é função do município com as guardas metropolitanas. Elas têm delegação e podem cumprir funções de segurança pública, só que hoje não estão integradas. Ações táticas de planejamento e de defesa são feita com a inteligência da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Metropolitana. Vamos, também, contratar mais policiais. Nós temos um déficit de oito mil policiais na Polícia Civil e 13 mil na militar.

TEM Notícias - É concurso público.

João Doria - Vamos reabrir os concursos. É necessário ao longo dos anos, já que foi diminuindo a força tarefa da Polícia Civil e Militar. Vamos colocar aqui em Sorocaba um BAEPM (Batalhão Especial da Policial Militar). É importante que você ouça isso, porque esse BAEPM vai trazer 300 policiais da força tática.

TEM Notícias - E Bauru, Itapetininga e Rio Preto?

João Doria - Serão atendidos por também por este BAEPM e pelas bases comunitárias. Bauru e Itapetininga nós teremos as bases comunitárias na PM. Nós vamos comprar mais 800 ? hoje são 400.

TEM Notícias - E Rio Preto, no noroeste paulista?

João Doria - Em Rio Preto teremos o batalhão com 300 policiais militares. Nas demais cidades nós teremos a base comunitária da PM funcionando 24h por dia com rádios, equipamentos, armamentos, veículos blindados ? esta é outra novidade. A partir de janeiro todos os veículos adquiridos para uso operacional da polícia Civil e Militar serão veículos blindados para proteger os policiais e melhorar a efetivação no pronto atendimento à população. Para concluir, quero deixar claro para você que está nos assistindo agora, são quase nove milhões de pessoas que acompanham aqui a TV TEM na sua região de cobertura. Comigo é polícia na rua e bandidos na cadeia e na cadeia aqui em São Paulo os presidiários vão trabalhar e não vão ficar fazendo reunião para fazer decisões de crimes nas cadeias. Não vão mais entrar celulares e vai acabar as saidinhas que vamos aprovar o projeto de lei que já está no Congresso Nacional que proíbe saidinha de preso. Lugar de preso é na cadeia.

TEM Notícias - Candidato, o motorista que sai hoje de São José Rio Preto para ir à São Paulo, só pedágio , ele pagar R$180 ida e volta. Em agosto a gente comentou aqui, com o senhor no 1º turno, e o senhor disse que vai rever todos os contratos. O pedágio, se o senhor for eleito o governador de São Paulo, você vai diminuir? Quanto tempo e qual a porcentagem?

João Doria - Vamos responder isso, mas é preciso ter cuidado. Vamos esperar terminar os contratos. Os contratos vencem quase todos em 2019 e 2020. São contratos de 20 e 25 anos que, por coincidência, terminam agora. À medida que forem vencendo, eles terão as suas tarifas reduzidas, naturalmente. Primeiro por uma decisão do estado que vai entender o período de validade destas concessões, mas a contrapartida é redução da redução do pedágio. Tem mais dois fatores importantes também, para você que utiliza as rodovias e que a partir do ano que vem saberá que teremos tarifas reduzidas. Vamos ter tarifa ponto a ponto. Se você entra em uma estrada de 200 quilômetros e percorre 20, você não vai pagar pelos 180.

TEM Notícias - Vou aproveitar a sua deixa. Em Marília, na semana passada, um pedágio da SP-233, os moradores estão pagando pedágio para circular dentro da cidade. É um absurdo.

João Doria - Não é justo, um absurdo. Isso vai terminar. Vamos ter também a tarifa flexível, que não está funcionando aqui no Brasil. Nós vamos trazer a experiência bem-sucedida dos Estados Unidos, Canadá e Espanha. O que é a tarifa flexível? É utilizar a estrada em faixas horárias em que não há grande demanda, depois das 19h, 20h, dependendo da estrada, e até as 6h ou 7h da manhã. Nos horários fora dos horários de pico, você pode ter uma redução de 20%, 30%, 40% e até 50%. E na tarifa ponto a ponto, volto a repetir, a pessoa vai pagar aquilo que usar. Aquilo que não usar, não vai pagar.

TEM Notícias - Meio-ambiente agora. Você está prometendo despoluir o Rio Tietê em oito anos. Faz muito tempo que o governo tenta a despoluição do Rio Tietê e não conseguiu ainda. Como o senhor vai fazer e o que o senhor vai fazer de diferente? A gente sofre muito com a poluição que vem lá da capital e surge aqui na região de Sorocaba, Salto, Barra Bonita, na região de Bauru.

João Doria - Nós temos um programa com o setor privado. É perfeitamente possível. Nós avaliamos, o estudo foi feito por uma grande consultoria de São Paulo, aliás, um estudo gratuito e financiado por uma fundação privada, que permitirá finalmente liberação completa destes últimos 120 quilômetros do Rio Tietê do Rio Pinheiros. Primeiro um programa de saneamento em Guarulhos e Mogi das Cruzes, que até então continuam jogando esgoto in natura no leito do rio que evidentemente contribuem muito para esta poluição. Haverá o programa de saneamento tanto em Guarulhos quanto em Mogi das Cruzes e a empresa que será concessionadas, por um período de 25 até 30 anos, vai ter o direito de exploração comercial do rio. A contrapartida será a despoluição e a manutenção do Rio Tietê e do Rio Pinheiro. E terá o direito explorar o transporte de cargas e de passageiros, inclusive para o aeroporto de Guarulhos e o transporte turístico e mais as estações em um embarque. Soluções criativas para problemas que já duram décadas.

TEM Notícias - A Região de Bauru se tornou um cemitério de vagões de ferrovia, vagões abandonados há muito tempo ? e isso se reflete em cidades do interior. O senhor viajou muito pelo Europa, imagino que deve ter andado de trem por lá. Por que aqui no Brasil não funciona o trem para transporte e só para cargas e ainda com limitações?

João Doria - Agora vai funcionar. Vamos fazer PPP (Parceria Público-Privada) para exploração de todas as linhas de trem, inclusive os trens intercidades como para região de Sorocaba, Vale do Paraíba, evidentemente até foto do Porto de Santos, Campinas, com investimentos privados. Sabe quem serão os grandes investidores? Os chineses. Eles já manifestaram vontade de investir no setor ferroviário em São Paulo. E agora comigo, que sou liberal e defendo a participação do capital privado na estrutura pública, eles terão essa oportunidade. Vamos seguir o rito das concessões e jurídico necessário, mas todo sistema ferroviário será concedido o setor privado. Não só para implantação, inclusive com trens modernos, mas para que a população possa, sobretudo, ir ao trabalho e retornar para sua casa com absoluta segurança e conforto. Portanto, é uma boa expectativa para um futuro próximo.

TEM Notícias - Nosso tempo acabou. Agora mais 30 segundos para suas considerações finais, por favor.

João Doria - Mais uma vez muito obrigado pela oportunidade. Eu queria desejar a você uma boa votação neste domingo. Neste domingo você tem o voto, que a sua decisão democrática. Eu peço seu voto para o número 17 e peço o seu voto, com muita humildade, para João Dória 45 para governador. Defendemos o Brasil, somos contra a esquerda, o PT, radicalmente contra o PT e defendemos a política liberal, a política que tenha bandeira brasileira como princípio, não a bandeira vermelha. Comigo é bandeira verde amarela.

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