Baby boomers são acusados pelos mais jovens de cobiça e egoísmo, por terem garantido benefícios mais generosos para si

Na Europa, de um modo geral, e na Grã-Bretanha, particularmente, vem crescendo uma espécie de mal-estar que pode se transformar num ?nós contra eles? de consequências imprevisíveis. De um lado estão os baby boomers, uma geração que conseguiu acumular mais riqueza que as anteriores e agora se aposenta também mais protegida do que aquelas que a antecederam. Do outro, os millenials, nascidos entre 1980 e o fim dos anos 1990, chamados dessa forma porque chegaram aos 18 anos depois do ano de 2000: atolados em dívidas para pagar o crédito universitário, com empregos mal remunerados e sem perspectiva de casa própria.

Os baby boomers inventaram a adolescência, a contracultura, a revolução sexual e se tornaram um enorme grupo de adultos maduros e autoconfiantes. No entanto, agora são acusados pelos mais jovens de cobiça e egoísmo, por terem garantido benefícios para a sua geração ? que continua com o poder nas mãos ? que serão negados às seguintes. A polêmica começou a ganhar corpo em 2010, quando foi lançado o livro ?The pinch: how the baby boomers took their children´s future and why they should give it back? (em tradução livre, ?O roubo: como os baby boomers tomaram o futuro de seus filhos e por que têm que devolvê-lo?). O autor, o ex-ministro britânico David Willetts, chamou o acúmulo de riqueza dos baby boomers de ?quebra de contrato? entre gerações.

A ideia ganhou tantos adeptos que gerou inclusive uma organização extremamente combativa, a Intergenerational Foundation, responsável por um índice para medir a desigualdade entre baby boomers e millenials. David Willetts, que atualmente está à frente da Resolution Foundation, um think-tank voltado para melhorar as condições de moradia para a população de baixa renda, criou uma comissão intergeracional para investigar as condições de vida dos millenials do país com o objetivo de ?reparar o contrato social? existente. Ao jornal ?The Guardian?, declarou: ?os baby boomers são culpados pelo fracasso monumental em proteger os interesses das futuras gerações?. Depois de dois anos de trabalho, a entidade divulgou sua proposta nesta terça-feira: todo britânico que chegasse aos 25 anos deveria receber dez mil libras ? o equivalente a pouco mais de R$ 48 mil ? como uma espécie de ?reparação? pela situação adversa que essa geração enfrenta. O dinheiro viria de um aumento na taxação de heranças.

No entanto, nem todos concordam em alimentar esse clima de Fla x Flu entre jovens e velhos. Na contramão da polarização, a Generations United prega em seu slogan que ?juntos somos mais fortes?. Seu trabalho se baseia em modelos familiares existentes em muitos países, como o de diversas gerações convivendo sob o mesmo teto, ou avós que criam os netos porque os filhos enfrentam dificuldades ou situações extremas como o encarceramento ou a dependência de drogas. Sua cartilha versa sobre a necessidade de tecer uma rede de proteção para que todos se ajudem mutuamente e não deixem as pontas mais frágeis, crianças e idosos, sem amparo. É nesse time que todos devemos jogar.


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